Kristalina Georgieva é a candidata europeia à liderança do FMI

Foi Jeroen Dijsselbloem, após a segunda ronda de votação ter desaguado num impasse, e quando o grupo de trabalho se preparava para uma interrupção de jantar, a conceder a vitória a Georgieva face à pressão dos ministros das Finanças da União Europeia.

Através do Twitter, o ministro holandês das Finanças deu os parabéns à candidata búlgara, que, apesar de não ter uma maioria de votos suficientes nos termos exigidos, saiu da última ronda como clara vencedora.

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O ministro francês das Finanças, Bruno Le Maire, coordenador do processo de escolha, havia indicado que a votação decorreria “segundo as regras europeias de maioria qualificada”, que estipulam que o eleito deve recolher apoio de 55 por cento dos países-membros representando pelo menos 65 por cento da população da UE.

“Uma vez que todos os candidatos eram altamente qualificados, era evidente que o processo de selecção tinha de ser aprofundado. Kristalina Georgieva é agora a candidata dos países europeus e todos apoiaremos a sua candidatura”, afirmou Bruno Le Maire.

Apesar destes preceitos, antes da publicação de Dijsselbloem, fonte europeia avançava que, mesmo não havendo uma maioria qualificada na votação, “os resultados da segunda votação foram muito claros em ambos os critérios e colocam Georgieva claramente à frente, com 57 por cento no critério populacional e 56 por cento no critério do apoio dos Estados-membros. Já Dijsselbloem tem, respectivamente, 43 e 44 por cento nos mesmos critérios, o que torna a diferença substancial.

A economista búlgara de 65 anos tinha na idade o maior obstáculo para chegar ao lugar. A candidata faz 66 anos dentro de dias e os estatutos do FMI dizem que o director-geral não pode ter mais de 65. Falava-se na necessidade de abrir uma excepção e assim terão assentido os membros da organização. Do seu lado, contou seguramente a experiência acumulada no Banco Mundial.

Kristalina Georgieva foi apoiada pela França e Jeroen Dijsselbloem pela Alemanha. O ministro holandês granjeara, no entanto, muitas antipatias dos Estados-membros do sul da Europa quando desempenhou funções como presidente do Eurogrupo, pelo que havia muitas reservas sobre a sua candidatura, vindo esse clima, no final, a impossibilitar a escolha do seu nome para o FMI.

Eram estes os candidatos iniciais: o holandês Jeroen Dijsselbloem, ministro das Finanças na Holanda, Olli Rehn, governador do banco central finlandês e antigo comissário europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros, a búlgara Kristalina Georgieva, actual número dois do Banco Mundial, Mário Centeno, ministro das Finanças do Governo português e presidente do Eurogrupo, e Nadia Calviño, ministra espanhola das Finanças.

Ao longo do dia de sexta-feira, uma a uma, foram caindo as candidaturas que se perfilaram para ocupar a vaga de Christine Lagarde .a directora-geral do FMI está de saída para suceder a Jean-Claude Juncker como presidente da Comissão Europeia . Georgieva e Dijsselbloem ficaram no final.

Face à tradição, a escolha dos europeus virá a ocupar o lugar de director-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI). Nesta distribuição de papéis-chaves das instituições internacionais, Kristalina Georgieva ficará à frente do FMI e os norte-americanos apontarão a liderança do Banco Mundial.

Há, no entanto, uma variável que por estes tempos não é de somenos juntar à equação: Donald Trump. O Presidente dos Estados Unidos, que se apresentou na corrida à Casa Branca como um candidato anti-sistema (apesar de ter crescido nele e à custa dele), já em várias situações foi capaz de virar a mesa e tomar decisões inesperadas, rompendo acordos comerciais ou tratados geoestratégicos, pelo que a tradição pode já não ser o que era.

De acordo com os procedimentos formais, é exigido que a designação de Georgieva seja oficializada pelos ministros das Finanças europeus.

Fonte: Lusa

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