Lisboa: Bióloga angolana Adjany Costa vai participar no National Geographic Summit 2018

A bióloga e exploradora angolana, Adjany Costa faz parte de um grupo de seis oradores de renome internacional do National Geographic Summit 2018, que terá lugar no próximo dia 11 de Abril (quarta-feira), no Coliseu dos Recreios em Lisboa.

Adjany Costa irá falar sobre o tema : The Thrills And Torments of Wildlife Scientific Expeditions.

Actualmente, Adjany Costa integra a lista de 14 exploradores emergentes da National Geographic Society. Este grupo de exploradores tem sido reconhecidos pela forma como os seus membros exploram novas fronteiras e encontram formas inovadoras de solucionar alguns dos principais desafios do nosso planeta.

A bióloga angolana trabalha como directora do projecto da National Geographic da Vida Selvagem do Okavango para Angola. O projecto é uma iniciativa da Fundação Wild Bird Trust financiada e promovida pela National Geographic Society e conta com o apoio do Ministério do Ambiente angolano. Juntos, investigadores angolanos e estrangeiros, em colaboração com cineastas, fotógrafos e escritores da National Geographic, estão a estudar a área, de modo a documentar a sua extraordinária biodiversidade e reunir informações acerca da saúde das suas águas.

O projecto é uma verdadeira aventura, repleta de oportunidade, mas também de desafios. Quando aceitou fazer parte desta iniciativa, Adjany Costa foi, durante quatro meses, a única mulher num projecto liderado por 25 homens.

“Fui atacada quatro vezes por hipopótamos e duas vezes por elefantes, mas sobrevivi a todos” .

Bióloga, com uma licenciatura em Biologia pela Faculdade de Ciências da Universidade Agostinho Neto. Tem ainda um mestrado em Ciências Ambientais, e é especialista em peixes, Adjany Costa está a trabalhar num doutoramento dedicado à protecção da biodiversidade marinha angolana. Dirige o projecto para Angola e faz a ligação com o Ministério do Ambiente de Angola, para a realização das expedições no terreno.

” Importa frisar que durante a expedição interagimos com mais de quatro mil pessoas de cerca de 36 comunidades e aproveitámos para fazer uma avaliação das condições de educação, saúde, interacção com os recursos naturais, bem como aprender como é que estas comunidades interagem com os diferentes grupos da biodiversidade”, explicou.

Além de estudar peixes de água doce nas bacias dos rios Okavango e Cuando, Adjany Costa espera criar uma área marinha protegida ao leste da costa sudoeste de Angola, adjacente à Costa do Esqueleto na Namíbia.

” Estar em campo é bastante viciante para mim, especialmente numa área tão remota e selvagem. Apura os nossos sentidos e muda a nossa visão do mundo, reconecta-nos ao nosso interior e a tudo ao nosso redor. Sinto-me em casa e fico ansiosa assim que tenho de me ir embora. É sempre complicado voltar à “civilização”.

IDENTIFICADAS MIL ESPÉCIES EM ANGOLA.

A bacia hidrográfica do Okavango é um paraíso da biodiversidade, local único no mundo, e não cessa de maravilhar cientistas e ambientalistas.

O Projecto National Geographic da Vida Selvagem do Okavango, que iniciado há três anos, já tem novidades para contar. Entre elas, a identificação de mais de mil espécies ao longo da bacia do rio, em Angola, das quais 24 são potencialmente novas para a ciência, e outras 38 são novas em Angola, ou seja, não se sabia que elas existiam no nosso país .

Em números, estes três anos de trabalho, que tem sido realizado no terreno por uma vasta equipa internacional de 34 pessoas, incluindo investigadores, especialistas em diferentes tipos de fauna e de flora, ambientalistas, guias, tradutores, fotógrafos, operadores de imagem e outros, resultaram na identificação de mais de mil espécies, das quais 407 aves, 92 peixes, 99 répteis, 14 espécies de plantas, e ainda um grande número de mamíferos e anfíbios. Foram ainda descobertas 16 novas lagoas de nascentes.

Fontes: National Geographic, Diário de Notícias.

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