Maka da Jamaica: Cabo Verde 3 – Angola 1

“Acompanho e procuro informações concretas relativas ao sucedido no bairro da Jamaica, Seixal, Portugal”.

Com estas palavras sensatas e com sentido de Estado reagiu o Presidente de todos os cabo-verdianos (os de dentro e os da Diáspora) ao Caso Jamaica, despoletado pela agressão policial a uma família negra angolana, naquele musseque de Portugal.

A declaração de Jorge Carlos Fonseca, que sublinhou, nas redes socias, que está “a acompanhar” o caso, é a posição oficial do País.

E o que fez Angola, de onde são naturais os cidadãos da família agredida por policias portugueses?

Começou muito bem, com o seu consulado a deslocar-se ao local para ouvir as partes e manifestar apoio às vitimas.

Mas, numa atitude de difícil compreensão, com laivos de servilismo barato, a Embaixada de Angola publica um comunicado, apresentando conclusões a que as próprias autoridades portuguesas ainda não chegaram, até porque está a decorrer um inquérito ao Caso.

Contudo, o Estado angolano já ditou as sentenças e com a certezas que mais ninguém tem, escreve: “as autoridades policiais viram-se envolvidas numa situação de resistência, desrespeito e agressão às autoridades, o que derivou o uso excessivo da força”.

A contrastar com as certezas de Angola, Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna, afirma que “todas as matérias que forem susceptiveis de investigação no quadro do inquérito aberto no próprio dia serão esclarecidos”. Ou seja o normal num Estado democrático. Abre-se um inquérito e aguarda-se pelos resultados.

No documento, não assinado e cheio de erros, onde se confunde Conselho e Concelho, Angola inocenta os policias e justifica a agressão ao considerar que eles foram “envolvidos numa situação de resistência. Por outras palavras, agiram em legitima defesa.

Será que não perceberam que a expressão “serão esclarecidos” utilizada pelo ministro Cabrita, significa que ainda não há conclusões?

Em casos desta natureza envolvendo a Diáspora angolana em Portugal, o normal das instituições do Estado angolano é assobiarem para o lado. Desta vez, perderam uma oportunidade de ficar calados, até porque a estratégia era boa e o consulado já tinha marcado um golo. Mudaram de estratégia no meio do jogo e perderam.

Estaremos a regressar aos discursos trungungueiros, anti Diáspora de um tempo recente? Ou os tempos são os mesmos?

Luzia Moniz é jornalista e líder da Plataforma para o Desenvolvimento da Mulher Africana (PADEMA).

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