Ministro de Angola no Brasil quer retomar desembolsos da linha de crédito

O ministro das Finanças de Angola, Archer Mangueira, está no Brasil para negociar a reabertura dos desembolsos da linha de crédito para o financiamento de alguns projetos de investimento público, informou hoje o Governo angolano.

Em comunicado enviado à agência Lusa, em Luanda, o Ministério das Finanças refere que a visita de trabalho do governante angolano decorre entre 27 e 30 de janeiro e “enquadra-se no relançamento da cooperação financeira entre os dois países”-

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“Incluindo a negociação para a reabertura dos desembolsos da Linha de Crédito para o financiamento de alguns Projetos de Investimento Público, inscritos no Orçamento Geral do Estado de 2018”, refere o mesmo comunicado.

Durante a visita a Brasília, de acordo com o Ministério das Finanças, estão previstos encontros oficiais de Archer Mangueira com os ministros das Relações Exteriores e da Fazenda do Brasil, respetivamente Aloysio Nunes e Henrique Meirelles, bem como Paulo Rebelo de Castro, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES).

Estão igualmente previstas reuniões com administradores de empresas brasileiras com interesses em Angola, assim como altos responsáveis de instituições financeiras internacionais.

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O Presidente da República de Angola, João Lourenço, reuniu-se a 24 de janeiro, na Suíça, com o homólogo brasileiro, Michel Temer, tendo anunciado no final que prevê realizar uma visita oficial ao Brasil, no próximo mês de maio.

Em raras declarações aos jornalistas presentes, brasileiros e angolanos, à margem do Fórum Económico de Davos, o chefe de Estado angolano sublinhou a importância das relações entre os dois países e anunciou a partida para Brasília do ministro das Finanças, Archer Mangueira, precisamente para negociar a retoma dos financiamentos a Angola do BNDES.

“O ministro das Finanças de Angola deve chegar a Brasília dentro de dois ou três dias para, a esse nível, de ministros, começarem a trabalhar no sentido da retomada da linha de financiamento do Brasil, que é suportada pelo BNDES”, disse João Lourenço, questionado pelos jornalistas após o encontro com o Presidente brasileiro.

O Presidente angolano sublinhou que aproveitou a oportunidade para “agradecer ao Presidente Temer” o convite formulado para visitar o Brasil “ainda este ano, em data que está muito próxima, provavelmente para o mês de maio”.

“A nossa prioridade é financiar as obras públicas de grande envergadura, nomeadamente infraestruturas nos setores da construção, da energia e águas, sobretudo em barragens hidroelétricas”, justificou ainda João Lourenço, a propósito das negociações, nos próximos dias, entre os dois governos.

O Governo angolano informou, no final de 2016, ter pedido esclarecimentos às autoridades brasileiras sobre a suspensão das linhas de crédito para obras em Angola, em curso por empresas daquele país, e que pretendia enviar uma delegação governamental ao Brasil.

A informação foi então prestada num comunicado do Governo enviado à Lusa, em Luanda, em que é garantido que a suspensão dessas linhas de crédito – que embora não seja referido no documento está relacionada com as investigações em torno da Operação Lava Jato – aconteceu “há mais de um ano” e obrigou à mobilização de outros recursos para garantir a prossecução das empreitadas.

O BNDES do Brasil anunciou anteriormente que estão suspensos os financiamentos para 25 projetos de empresas investigadas na Operação Lava Jato, entre eles obras em Angola e Moçambique.

Os 25 projetos somam 7,036 mil milhões de dólares (6,361 mil milhões de euros), dos quais 2,3 mil milhões (2,079 mil milhões de euros) já foram pagos, informou o BNDES.

Em causa estão obras no Polo Agroindustrial de Capanda, o aproveitamento hidroelétrico de Laúca (AH Laúca), o alteamento de Cambambe, e a segunda central da barragem de Cambambe, em Angola, num total de 808,8 milhões de dólares (731 milhões de euros).

No comunicado, lê-se que “são financiamentos contratados a exportações de serviços de engenharia das empresas Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez”.

As cinco empresas de construção são investigadas no ‘mega esquema’ de corrupção da petrolífera estatal Petrobras, conhecido como Lava Jato.

“Esta suspensão ocorreu, de facto, há mais de um ano e teve reflexos na atividade das empresas brasileiras que operam em Angola e se encontram vinculadas por importantes contratos de empreitada ao Governo angolano, que tiveram de interromper os seus trabalhos e de despedir pessoal angolano”, refere, por seu turno, o comunicado do executivo, que era então liderado por José Eduardo dos Santos.

Fonte: Lusa

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