Cultura de Hoje – 1

Desculpem o abuso, mas estas crónicas e neste espaço são puros locais de pensamento livre e partilhado sujeitas à crítica e ao contraditório. Porque somos daqueles que, ficamos mais incomodados com o silêncio porque nesse caso muitas situações podem ser interpretadas de outro modo.

Lendo a brochura “Manifesto” da Academia Angolana de Letras em que no seu início podemos encontrar um parágrafo com as seguintes palavras belas e cheias de força na sabedoria que transmitem: “a literatura em Angola é um fato de ocorrência antiga. Ela deve ser sempre especificada em função da sua dualidade. Por um lado, fazendo referência à criação popular oral, na qual encontramos as múltiplas criações literárias de tradição oral; por outro, referindo à literatura escrita que surgiu em Angola através da colonização portuguesa e dos intelectuais angolenses”.

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Se meditarmos nestas palavras e transportarmos para muitas áreas especialmente de natureza cultural, vamos saber que se aplica em quase tudo. Hoje, no tempo moderno em que o Mundo gira a velocidade rápida, em que muitos agentes da cultura trabalham de forma isolada, mas que nem sempre controlam o sucesso do momento, como algo passageiro, que o seu nível de popularidade não é sinónimo de satisfação dos potenciais clientes, apesar do populismo. Mas, aquele parágrafo faz-nos reposicionar no presente com olhos no passado para seguir para o futuro. Se há um hoje, cultural, é porque no passado outros abriram caminho.

Alguns artistas, escritores, estilistas entre muitas outras situações confundem o tempo presente de popularidade com consagração da sua carreira. Esta é sempre mais importante que os momentos fugazes da vida, afirmamos esta nossa preocupação, porque temos tido oportunidade em interagir com inúmeros agentes culturais e com estatutos diferenciados na sua atividade.

Os que estão à procura de um lugar ao “Sol” tendem cada vez mais a ver o mundo da forma como ele não é e pouco interagem na sociedade cultural, esperam sempre que outros venham ter com eles e não o contrário. Depois há um grupo que tem vontade e dedicação pela atividade cultural, mas não tendo qualidade tem algumas portas fechadas, mas a realidade há que saber encontrar espaços para a manifestação dos seus ímpetos culturais e ainda os verdadeiramente consagrados que fazem o seu caminho sem preocupação com terceiros mas na maioria estão disponíveis para dar a mão todas as pessoas que se pretendam lançar nas atividades culturais.

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O nosso olhar e o pensamento muitas vezes vai para o aspeto psicológico das personalidades diferentes que cada um representa, porque e se analisarmos a montante vamos sempre encontrar uma razão ou uma causa para determinadas atitudes que perdoamos mais facilmente a um agente cultural de qualquer natureza que o fazemos a uma pessoa com atividade muito comum.

Acresce a tudo isto, que a comunicação hoje de forma fácil e as dinâmicas sociais, podem ser prejudiciais para a cultura, porque a massificação “industrialização” da cultura tem vantagens de modo a permitir melhor escalonamento dos agentes culturais, mas tem o inverso que é diminuir o espaço para que os melhores usufruam de momentos únicos a não ser que seja devidamente suportados por terceiros.

Voltaremos a este tema para reflexão.


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