Morreu o actor Filipe Duarte

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O actor tinha 46 anos e sofreu um enfarte agudo em sua casa. Dava “vida ao ser imaginário que é a personagem com a sua própria vida humana”, diz o realizador Luís Filipe Rocha.

O actor Filipe Duarte, que deu corpo na televisão ao Luís Bernardo Valença criado por Miguel Sousa Tavares na adaptação de Equador, morreu esta sexta-feira aos 46 anos de idade.

A notícia foi confirmada pelo Público pela produtora Pandora da Cunha Telles, da Ukbar Filmes. Filipe Duarte morreu durante a noite de enfarte do miocárdio e foi encontrado já sem vida na sua casa. O actor havia regressado há pouco do Brasil, onde tinha terminado as rodagens da novela da Globo Amor de Mãe, que se encontra em exibição na SIC.

Natural de Angola, onde nasceu em 1973, Filipe Duarte era um dos rostos mais versáteis e regulares na televisão, no teatro e no cinema português, tendo recentemente participado igualmente em várias séries espanholas. Aluno da Escola Superior de Teatro e Cinema, começou carreira no palco em finais dos anos 1990 com produções do Teatro da Garagem e da Companhia Teatral do Castelo, mas foi na televisão e no cinema que construiu o grosso da sua carreira. As suas últimas aparições em palco foram em 2017 em Splendid’s, de Jean Genet, no Teatro Experimental de Cascais, e em 2018 em A Fera na Selva, de Marguerite Duras, encenado para o Centro Cultural de Belém por Miguel Loureiro, que em entrevista ao Público na altura elogiava o “trabalho sobre a contenção” do actor.

No grande ecrã, vimo-lo há pouco em Mosquito, de João Nuno Pinto, no papel de um oficial português perdido nos confins de Moçambique durante a I Guerra Mundial, e no superêxito que foi Variações de João Maia, interpretando Fernando Ataíde, proprietário do clube Trumps. Ao Público, Maia fala de “um tipo formidável, com as ideias muito arrumadas”, de indesmentível carisma, destacando a “generosidade de um actor tão experiente aceitar um papel secundário” ao qual deu “99%” de si mesmo. “Dirigi-o muito pouco, o que está no ecrã é aquilo que ele trouxe. E ele podia não estar a fazer nada que ficávamos todos a olhar para ele.”

Luís Filipe Rocha deu-lhe o papel principal de A Outra Margem (2007), um travesti que regressa à sua aldeia natal e lhe valeu vários prémios internacionais, e voltou a trabalhar com ele em Cinzento e Negro (2015).

Num depoimento enviado ao Público, Luís Filipe Rocha define os dois filmes que rodou com Filipe Duarte como “duas intensas e inesquecíveis viagens”. “Em ambas, recebi dele a mais bela oferta que um actor me pode fazer: dar vida ao ser imaginário que é a personagem com a sua própria vida humana”, escreve o realizador de Cerromaior e Adeus, Pai. “Não são muitos os actores que o conseguem fazer, por isso a memória dos que o fazem é a que mais perdura em mim ao longo dos anos. O Filipe não era apenas um grande actor, era também um ser humano excepcional. Um homem íntegro, solidário e profundamente humano. Um amigo.”

Fonte: Público

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