MPLA pondera adiar autárquicas

“As eleições autárquicas previstas para o próximo ano poderão ser adiadas”, revelou ao Expresso fonte próxima do Palácio Presidencial da Cidade Alta.

A questão divide o MPLA (no poder), sendo estudado com reservas nalguns círculos do regime por poder acentuar a sua descredibilização política. Perante a vaga de contestação geral a algumas políticas governamentais, noutros círculos fala mais alto o receio de as urnas produzirem resultados desoladores para o MPLA, daí a ideia de as atrasar.

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“Adiar as eleições não será bom, mas fazê-lo sem concertação prévia com a oposição e a sociedade civil seria ainda pior”, disse ao Expresso o presidente do Observatório Político-Social de Angola, Fernando Pacheco.

Após sucessivos congelamentos, o ano de 2022 (em que se realizarão eleições gerais), é apontado como podendo vir a ser, por fim , o das primeiras eleições autárquicas.

A data não surge por acaso. Dois anos depois de o Presidente João Lourenço ter assumido o poder, a derrapagem da retoma económica, a escassez de recursos cambiais, a morte do pequeno comércio, a subida vertiginosa do custo da cesta básica e o alastramento em flecha da criminalidade, ao deixarem à vista uma “tempestade perfeita”, estão a abalar a sua popularidade. Este quadro com a inflação a roçar os 20%, a dívida a trepar para 90% do PIB e a taxa de desemprego a galgar terreno até aos 30%, começa a tirar o sono ao chefe de Estado angolano.

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O dossier está em cima da mesa de João Lourenço, que continua a contar com o apoio de vastos sectores da sociedade ao assegurar o aprofundamento da pluralidade democrática no país. No plano estritamente político, contudo, não lhe tem sido fácil enfrentar o desgaste de muitos anos de governação do MPLA, marcados por sucessivos escândalos de corrupção. Acentua-se desde 2008 um preocupante decréscimo do nível de adesão dos eleitores ao partido do Governo, o MPLA.

Corrigidas as contas e correndo contra o tempo, João Lourenço começou a disponibilizar esta semana um pacote de dois mil milhões de dólares, recuperados dos recursos que tinham sido desviados do Fundo Soberano, para dar início à aplicação do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios.

Com um amplo programa de obras locais, ao atirar para 2022 a realização das autárquicas o MPLA espera “ganhar tempo para se apresentar ao eleitorado de cara lavada e cativar os seus votos”.

Antes disso, na próxima terça-feira, quando for ao Parlamento discursar sobre o Estado da Nação, João Lourenço terá de deixar em pratos limpos a data da votação para as autárquicas.

Fonte: Expresso.

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