Negros Inventores

As crónicas que aqui iremos partilhar são uma consequência de pesquisas substancialmente acarretadas por interrogações que assombraram a minha infância. Quando adolescente, deparei-me com a necessidade de saber qual tinha sido a contribuição da comunidade negra no desenvolvimento dos campos científico e social. Terão os negros inventado coisa outra, além do Jazz, Blues e o Rap? Interrogava-me. Porém, as informações que supririam tal dúvida levariam anos a serem acopladas.

Caluanda que sou, e filho de uma magnifica jornalista, desde muito cedo aprendi o valor da informação, bem como a hecatombica importância de me manter informado naquela capital (Luanda), onde a Televisão (TV) é uma das principais fontes de obtenção de informação – devido à rapidez com que a informação é veiculada –, uma vez que, a TV é dos poucos meios de comunicação que amálgama imagem, mais áudio, mais escritos. Conectei-me, portanto, à TV, na esperança de saciar as minhas interrogações iniciais, passei a consumir muito do que por aquele ecrã me era transmitido, sobretudo, os documentários, que eram todos sobre grandes invenções (brancas).

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Na Verdade, eram apenas dois documentários repetidamente exibidos pela Televisão Pública de Angola às 15h30 e às 16h30, respetivamente. O primeiro documentário abordava a invenção da Máquina a Vapor. Apesar de ter sido a Eolípila (criada por Heron de Alexandria no século I) a primeira Máquina a Vapor da história, James Watt recebia os créditos por ter aperfeiçoado a Máquina a Vapor de Thomas Newcomen, criando separadamente os cilindros de combustível e de vapor, produzindo, consequentemente, uma máquina mais rápida e mais eficiente que a do seu antecessor.

O segundo documentário abordava outra invenção branca o “Automóvel”. Karl Friedrich Michael Benz, um engenheiro alemão, apresentou ao mundo o primeiro automóvel movido a gasolina, em Julho de 1886. Tratava-se de um carro constituído por três pneus, cujo tamanho era o de um pneu de bicicleta, um motor na parte de trás, uma resistente tábua de madeira que servia de chassi, um único banco onde não podia sentar mais de uma pessoa, portanto, só o motorista podia usufruir de seu conforto. Esse veículo tinha ainda uma manivela na frente que servia de volante.

Após assistir ambos os documentários infinitas vezes e nunca ouvir sequer falar de uma única invenção negra, descobri-me cada vez mais invadido e assombrado pela balburdiante questão, será que os negros já inventaram algo relevante para a sociedade moderna?

Obrigo-me a confessar que temia decepcionar-me, receava descobrir que os negros em nada contribuíram para o avanço científico-acadêmico da era moderna. Pois, a TV pública do meu país – que se advinha negro –, “nunca zuelará tal assunto”. Os livros na escola também estavam despidos de tal informação. Então, era muito fácil concluir que não. Não existiam negros capazes de inovar, criar ou inventar coisas.

Todavia, prometi que: se encontrasse material credível, que provasse as criações, invenções e contribuições daquela gente, escreveria algo sobre o assunto, de forma a ajudar todas as pessoas que assim como eu um dia questionaram-se: Será que os filhos de África apenas ofereceram danças e melodias à humanidade?

Infelizmente, não encontrei material que abordasse tal assunto na língua de Camões. Contudo, para a minha satisfação, já muito – ou alguma coisa – se tinha escrito na língua de Shakespeare, embora o material tivesse sido produzido no lado atlântico oposto aos solos de her majesty, nos Estados Unidos da América.

Depois de vários anos e abnegadas paragens que confluíram para a sua conclusão, estamos mais que felizes pela oportunidade de apresentar estes magníficos inventores. O processo de pesquisa revelou-se, na verdade, num processo de aprendizagem desenvolvido com muito amor.

Quinzenalmente apresentaremos aqui, neste espaço, inventores negros que, com suas magníficas invenções, transformaram o universo e suas gentes. Desta forma, esperamos que os nossos textos ajudem e motivem o leitor de formas a perceber que também ele(a) pode ultrapassar os mais diversos obstáculos e vicissitudes para escalar e consequentemente alcançar seus sonhos.

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