Numa fase em que Economia é Guerra

Para equilibrar tanto quanto possível a balança comercial norte-americana, Donald Trump desencadeou uma ofensiva, alteando taxas alfandegárias sobre importações até de grandes aliados do seu país ou parceiros estabelecidos ao longo de um quarto de século, como a China. Todos os alvos reagiram e impõem condições semelhantes aos produtos made in USA.

Para reativar e diversificar a economia angolana, João Lourenço apelou à repatriação de capitais angolanos depositados no exterior, prometendo ausência de ações judiciais e garantindo condições estimuladas em caso de investimentos. Os visados responderam com o silêncio.

Os países atingidos pelas restrições de Trump preparam queixas nos tribunais da Organização Mundial de Comércio, argumentando com flagrante violação das regras acordas em Bali. O locatário da Casa Branca está interessado em, senão liquidar, pelo menos limitar a globalização. Já deixou isso patente em vários discursos, inclusive com frases agressivas sobre a China e a União Europeia.

Os angolanos detentores de capital irregular no exterior nem querem ouvir falar de tribunais, só se queixam quando lhes anulam contratos. O locatário do palácio da Cidade Alta está interessado na globalização produtora de investimentos e já deixou isso claro em várias declarações, por exemplo, relativas à China ou no parlamento europeu, órgão da União Europeia.

Estamos perante dois campos onde a guerra económica em curso tem configurações diferentes. Porém, ambas têm o mundo como área de manobra. Restrições num caso, ampliações no outro, daí os atores adotarem táticas e estratégias distintas e os meios respetivos de que dispõem serem sem comparação. Os ângulos de observação idem: entre Trump e seus adversários todos sabem os montantes em jogo; o governo angolano só tem conhecimento aproximativo do capital deslocalizado e menos ainda sobre os lugares de camuflagem.

A batalha desencadeada por Trump é guerra convencional. A batalha angolana é guerra assimétrica. Entre as duas um dado importante: Casa Branca e Cidade Alta estão de boas relações. Entre as grandes economias, trata-se de fixar novas regras na hierarquia mundial. Em Angola, obter fundos relevantes e absolutamente decisivos no funcionamento de novo modelo económico.

Podia mencionar mais alguns elementos sobre a disposição das forças em presença, mas fiquemos hoje por aqui. Só para concluir (por hoje): raramente os economistas usaram tanto os critérios de desdobramento militar em crise como neste momento.

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