O Amor – A primeira carta de Amor escrita para o Universo

Ao longo de um ano, tenho escrito crónicas para três plataformas on-line.

Esta responsabilidade fez-me traçar o caminho para reuni-las numa obra única, também acessível, para aqueles que, ou pela idade, ou porque não conseguem aceder à informação digital, possam beber da fonte do conhecimento e terem acesso às crónicas.

Assim, nasceu o livro, “Crónicas de Bem Viver”, que será lançado em Lisboa dia 28 de Maio deste ano de 2017.

Deste livro, decidi hoje, escolher uma crónica que representa um dos pedaços mais bonitos da minha vida e por isso venho de novo, desta vez, aqui na Press News, trazer-vos uma Carta de Amor.

Espero que possam identificar-se com alguma parte da história, já que ela é a ponte de reencontro de dois Angolanos, separados pelo tempo cronológico e que, tal como nos contos de fadas, acabam por se encontrar e de mãos dadas fazerem a “Farra da Vida”.

Vamos então à leitura:

“O TEMPO…Um Modo de Saber Viver o Amor.

O sentir da essência que nos faz seres únicos, chama-se amor.

Saber usar o tempo, esta medida que nada mais é que uma unidade invisível de energia, é perceber que, somada, se faz matéria, onde na sua magnitude tem a força capaz de criar ações.

Se observarmos as obras de Einstein, Carver e outros, veremos que, sem muita informação ou instrução, sabiam como recorrer ao subconsciente em busca de seus diversos tesouros.

Este recurso que emana de nós, é capaz de gerar mudanças nos seres vivos que somos. O tempo é e será tudo o que quisermos que contenha. Esta é a medida da vida onde todos aprendemos a importância do Amor. Mas nem sempre somos capazes de perceber que basta apenas esperar…

Nesta minha busca constante por respostas contidas nos genes que trazemos, dou por mim várias vezes a viajar em busca das minha memórias.

E foi numa destas viagens que me dei conta que um dia, há cerca de 33 anos, eu, menina, com apenas 18 anos, escrevi um pedido em forma de carta de amor e anseios de mulher.

A resposta chegou, 31 anos depois e, no espaço que percorri, muitas foram as vezes que ouvi dizerem-me que os meus olhos buscavam algo e que eu emanava uma luz de quem procurava um universo desconhecido.

Deixo-vos aqui duas cartas de AMOR. A minha, escrita aos 18 anos, e a dele, escrita na hora em  que ambos estávamos certos de saber usar o tempo para AMAR.

18 de Setembro de 1983 ( um sonho de menina)

 

Sinto-me só, terrivelmente só. A impressão que tenho, é de estar a vaguear num espaço infinito, um mundo confuso, cheio de gente…

Ah! será que é mesmo gente, ou apenas ilusão?

Já não sei, não consigo distinguir, só sei que eu estou bem lá no fundo, no canto, longe de todos, e sinto-me perdida no meio de toda aquela imensidão.

Então sorrio para disfarçar, tentar mostrar que estou feliz. Mas que grande ilusão, ou talvez não, pois em parte até me sinto bem, ali acomodada porque posso sonhar…

Imagino que o meu corpo irradia uma luz muito brilhante, como se tudo o resto fosse o céu e eu uma pequena estrela cintilante, daquelas que todos olham mas depressa esquecem.

Sonho que giro, estou a dançar, toda eu sou luz, o meu vestido branco e leve acompanha o meu corpo ao som daquela melodia e vou bailando, dançando, e giro, giro, giro… Estou feliz, sinto-me bem, porque a música irradia alegria em mim. De repente, acordo e vejo que tudo era apenas um sonho.

Mas que importa isso se eu estava feliz, apenas preciso de voltar a dormir e sonhar…e nesse instante é que te vejo, estás longe, inalcançável, mas sei que és tu.

O meu coração dispara, pulsa num tom acelerado e a tristeza agora virou alegria. Aproximas-te e olhas-me com ternura, com paixão, pegas-me na mão e fazes-me girar.

Abraças-me cada vez mais, com carinho, e beijas-me deixando-me nas nuvens, ouço -te dizer que me amas.

Agora sei que posso acordar, porque já não me sentirei mais só. Quando isso suceder, tenho a certeza que estarás ao meu lado para dançarmos, nem que seja neste universo feito de sonhos. Porque ali, um dia, fui amada e amei enquanto dançava nos teus braços.

Agora sei que nada mais nos poderá separar e eu serei sempre tua. (Paula Cristina)

01 de Maio de 2013 ( a resposta)

Tu sabes que já vivi um grande amor. Há quem passe pela vida sem nunca ter alcançado essa ventura. Por isso, considerei que nada mais me caberia e que qualquer futura relação seria apenas uma procura de entendimento entre pessoas já vividas e com pouco por descobrir.

Inesperadamente, quem deita as cartas do destino, decidiu o contrário, pondo no meu caminho uma mulher por viver.

Embora considere que a vida foi benevolente para comigo, cabe-me aceitar, agradecer e fazer por merecer.

Tudo em ti é uma agradável surpresa, uma doce descoberta. O teu sorriso gaiato, a alegria que inunda o teu rosto, o raio de sol que dança nos teus olhos. Descubro, com algum espanto, que atravessaste o tempo mantendo virgens alguns sentimentos que agora me ofereces. Não sei se me alegre ou entristeça.

Mas isso já não importa. Vamos despi-los dos medos. Vamos vesti-los de cores garridas e vamos fazer a festa com a orquestra dos nossos corações.

 

Vamos pôr a dançar a menina que se escondia por dentro da mulher. Se foi para proporcionar esse reencontro que os Deuses deitaram as cartas, eu vou a jogo, cubro todas as apostas…e ganho.

Um beijo à mulher que agora é minha. (Rui Cuca)

A primeira carta, escrita para o universo, ficou esquecida no tempo, guardada num caixa no meio de documentos e foi entregue ao seu destinatário apenas em 2015.

Ambos nos emocionámos, porque neste tempo que nos separa em idade cronológica, a dança que nos apaixona, tornou verdadeira esta realidade.

Um dia, em 7 de Abril de 2013, ele, no meio de uma multidão, quase às escuras, foi pegar-me na mão e levou-me para dançar… Até hoje, os nossos sorrisos são duas crianças felizes que saem juntas de mãos enlaçadas e dançam a noite toda sem parar…os segredos da vida estão todos contidos na unidade do tempo, aquela que guardamos no coração.

Deixe o seu comentário