O ano dos Inventores Negros (2017)

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Aproxima-se o fim do ano e com ele emergem as costumeiras reflexões e avaliações, geralmente resguardadas ao âmbito pessoal, “self-reflections”, é neste período que somamos os pontos positivos e sem o mesmo entusiasmo, subtraímos os pedaços menos simpáticos dos últimos onze meses.

Somados e subtraídos os devidos termos, no campo equacional da nossa self-reflection, concluímos que, a publicação do livro “Inventores Negros” representa o expoente máximo da equação 2017. Em consequência do exposto, esta crónica discorrerá sobre o livro.

O livro “Inventores Negros” é uma consequência de pesquisas, substancialmente acarretadas por Interrogações que assombraram a minha infância. Quando adolescente, deparei-me com a necessidade de saber, qual tinha sido a contribuição da comunidade negra no desenvolvimento dos campos científico e social. Será que os negros já inventaram algo, para além do Jazz, Blue e Rap? –me interrogava. Porém, as informações que supririam tal duvida, levariam anos a serem acopladas.

Luandense que sou, e filho de uma magnífica e exaltada jornalista, desde muito cedo aprendi o valor da informação, bem como a hecatombica importância de se manter informado naquela capital (Luanda), onde a Televisão (TV) é uma das principais fontes de obtenção de informação, devido rapidez com que a informação é veiculada, uma vez que, a TV é dos poucos meios de comunicação que amalgama imagem, mais áudio, mais escritos. Então, conectei-me a TV, na esperança de saciar minhas interrogações iniciais, passei a consumir muito do que por aquele ecrã me era transmitido, sobre tudo os documentários, que eram todos sobre grandes invenções (brancas). 

Na Verdade, eram apenas dois documentários, repetidamente exibidos pela Televisão Público de Angola (TPA) às 15:30 e às 16:30, respetivamente. O primeiro documentário abordava a invenção da Máquina a Vapor. Apesar da Eolípila, criada por Heron de Alexandria no século I, ter sido a primeira Máquina a Vapor da história, James Watt recebia os créditos por ter aperfeiçoado a Máquina a Vapor de Thomas Newcomen, criando separadamente os cilindros do combustível e de vapor, consequentemente, produziu uma máquina mais rápida e eficiente que o seu antecessor.

O Segundo documentário, abordava outra invenção branca o “Automóvel”. Karl Friedrich Michael Benz, um engenheiro de automóveis alemão que apresentou ao mundo o primeiro  automóvel movido a gasolina, em julho de 1886. Tratava-se de um carro constituído por três pneus, cujo tamanho era de um pneu de bicicleta, um motor na parte de traz, uma resistente tábua de madeira que servia de chassi, um único banco onde não podia sentar mais de uma pessoa, por tanto, só o motorista podia usufruir de seu conforto. O carro tinha ainda uma manivela na frente que servia de volante.

Após assistir ambos os documentários infinitas vezes e nunca ouvir se quer falar de uma única invenção negra, descobri-me cada vez mais invadido e assombrado pela balburdiante questão, será que os negros já inventaram algo relevante para a sociedade moderna?

Obrigo-me a confessar que temia dececionar-me, receava descobrir que os negros em nada tinham contribuído para o avanço científico e/ou acadêmico da sociedade moderna. Afinal, a TV publica do meu país, que se advinha negro, nunca zuelou tal assunto. Os livros na escola também estavam despidos de tal informação. Então, era muito fácil concluir que não. Não existiam negros capazes de inovar, criar ou inventar coisas.

Todavia, prometi a mim mesmo que se viesse a encontrar material credível, que provasse as criações, invenções e contribuições daquela gente, escreveria algo sobre o assunto, de formas a ajudar todas as pessoas que assim como eu um dia auto questionaram-se. será que os filhos de África apenas ofereceram danças e melodias a humanidade?

Infelizmente, não encontrei material que abordasse tal assunto na língua de Camões. No entanto, para a minha satisfação, já muito ou alguma coisa se tinha escrito na língua de her majesty, embora os materiais tivessem sido produzidos no lado atlântico oposto aos solos de sua majestade, nos Estados Unidos da América.

Depois de alguns vários anos e abnegadas paragens que confluíram para a sua conclusão, estamos mais do que felizes pela oportunidade de apresentar estes magníficos inventores. O processo de pesquisa executado revelou-se, na verdade, num processo de aprendizagem desenvolvido com muito amor.

O livro apresenta alguns dos inventores negros que contribuíram para o desenvolvimento cientifico-social nas sociedades em que vivemos. Lamentamos o facto de não poder incluir todos os outros inventores negros, que certamente opulentariam esta obra.

Todavia, esperamos que o livro motive e ajude outros a descobrir e/ou conhecer algumas das contribuições que os filhos de África deram ao mundo. Desejamos sobretudo que as crianças e adolescentes apreciem as histórias de vida dos inventores apresentados, de formas a perceberem que também eles podem ultrapassar as mais diversas barreiras e obstáculos para escalarem e alcançarem seus sonhos.

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