O corpo dá-nos sinais de alerta todos os dias

Acaba de lançar o livro ‘Crónicas de Bem Viver’, onde sintetiza anos de conhecimento e prática na área da naturopatia. Acredita na capacidade de o ser humano se regenerar e se tratar. Basta ler os sinais que o corpo nos dá. Por trás, estão conceitos como epigenética ou alimentos nutracêuticos.

O que a motivou a escrever este livro?
Este livro é a soma das crónicas escritas ao longo de um ano para três plataformas online Através dele, eu posso levar a cada leitor uma visão mais saudável da vida. Mostrar que nunca é tarde para se mudar. Não existem limites quando queremos mudar algo em nós. Basta apenas começar.

O Luís Osório, que foi quem escreveu o meu prefácio, consegui definir muito bem este livro. “É um livro que acredita numa ideia de felicidade. Que acredita muito na capacidade do ser humano se regenerar. Que acredita ainda mais no talento de cada um para entender o essencial, de se cuidar, de prevenir e de, num certo sentido, se amar…O livro, este livro, é água. E também sede de conhecimento. E por isso é importante.”

Nas suas crónicas fala muito em epigenética. Pode descrever o que significa para a nossa vida?
A epigenética é definida como as modificações do genoma que são herdadas pelas próximas gerações, mas que não alteram a sequência do DNA. As influências externas obrigam o nosso metabolismo a gerar mudanças e adaptações para sobrevivermos, algo que vem desde que o homem é reconhecido como humano na pré-história. A estas mudanças chamamos fatores epigenéticos. Por isso afirmo sempre que a saúde é um estado de consciência, social, cultural, emocional e pessoal.

O que isto significa?
Significa que um coletivo de informações molda a nossa forma de estar na vida. Por exemplo, se as nossas crianças na escola primária começarem a ter noções sobre bons hábitos de vida, poderemos reduzir a obesidade, que se tornou já um flagelo público reconhecido pela OMS.
Este é o melhor exemplo de como as influências epigenéticas modificam as novas gerações. Se forem introduzidos nas escolas noções de hábitos regulares de exercício físico, alimentos nutracêuticos, consumidos pelo menos quatro vezes por semana, hábitos de boa leitura e práticas diárias de valores humanos. Essas crianças irão ser adultos mais saudáveis, com uma consciência, social, cultural, emocional e pessoal mais equilibrada.
Se quiser olhar com outra visão mais alargada, pense na saúde dos povos migrantes. Todos aqueles que estamos a receber e com os quais nos misturamos todos os dias. Neles há outra informação genética, que ao mudar de região geográfica irá sofrer uma adaptação a todas as novas informações recebidas no país que os acolhe. E nós também recebemos influências deles, colhemos novos hábitos alimentares, que quer para uns e para outros geram conflitos metabólicos e por vezes desarmonias perigosas, como é o caso do consumo de sushi, para o qual o nosso metabolismo não está preparado. Todas estas mudanças serão visíveis num futuro próximo. Iremos ter outros tipos de doenças.

E o corpo costuma dar-nos sinais, certo? Comos podemos estar atentos para os conseguir ler e atuar atempadamente na promoção da saúde?
Todos os dias o corpo dá-nos sinais de alerta, tal como o despertador que colocamos para nos acordar pela manhã. Basta estar atento e ouvir…se uma dor, um sintoma persistirem por mais do que três dias, aconselho a dar atenção a esse sinal. Isso significa que algo está em desarmonia e ao fim de sete dias já pode estar instalada a doença.

E qual o papel da mente? Como influencia o corpo e vice-versa?
A mente é o relógio circadiano, acionado pela luz que a iris recebe todos os dias, e com essa luz todos os nossos comandos neurológicos, motores e emocionais são organizados durante 24 horas e influenciados por tudo o que nos rodeia. Se nesta organização houver desarmonia – por exemplo, a falta de água no corpo -,  isto vai gerar, dia após dia, uma deficiência no metabolismo de hidratação celular. E com isso afetamos cerca de sete fatores metabólicos, sendo que o maior deles será o sistema circulatório. Duas das desarmonias mais persistentes são a irritação e o desânimo causados por um intestino preguiçoso ou demasiado solto. O intestino é responsável por muitos problemas emocionais, por depressões acentuadas e prolongadas. Entra-se num circuito bola de neve.

O ser humano tem capacidade de se regenerar? Conseguimos curar tudo ou quase tudo?
Somos seres minerais oscilantes. Essa capacidade é algo incrivelmente maravilhoso, porque se houver harmonia do sistema mineral, rapidamente podemos organizar o nosso corpo. Que se tenha em conta que “rapidamente” leva cerca de 21 dias, por cada ano de erros e danos.
Acertar o relógio humano tem e deve ser feito com toda a responsabilidade de um profissional qualificado. Mas sobretudo nós devemos ter força de vontade, porque acertar o que andou mal por muitos anos também dói, porque temos de passar pela crise da cura. A maioria das pessoas procura soluções rápidas e quando se deparam com esta crise desistem. Adoecer faz doer, mas recuperar também, é uma questão de persistência. Afinal 21 dias passam rápido, depois é só fazer o resto do percurso com calma e sabedoria.

Então, como é que a naturopatia nos pode ajudar a um maior bem-estar?
A naturopatia é uma prática de saúde integral, que usa os recursos da natureza. Ela combina técnicas e métodos científicos e empíricos, modernos e tradicionais, através de várias áreas da medicina integrativa. Pode até conciliar-se naturalmente com a medicina alopática. Afinal, ambas bebem da fonte do mestre Hipócrates. Quando alguém busca pelo meu trabalho, eu alio a naturologia clínica à nutrigenética. Nesta aliança, oriento e trato as desordens metabólicas, ao fazer uso dos alimentos.
Mas também utilizo outros meios de tratamento e de avaliação, como é o caso da geoterapia e da avaliação metabólica epigenética, feita através de uma tecnologia alemã, chamada S-Drive System. Através do folículo do cabelo faço um teste indolor, rápido e que nos dá com precisão o estado do biótipo de quem vai em busca de uma recuperação ou orientação. Isto permite-me focar a sua alimentação e todos os outros suportes terapêuticos, de forma única e personalizada.

Somo realmente o que comemos? Como a alimentação se inscreve no nosso corpo?
A interação da nossa alimentação modula os nossos genes. Somos na verdade o que comemos e como comemos. A nossa relação com o alimento é feita através dos campos energéticos do sistema humano e da substância que estamos a ingerir, isto é, o corpo é um laboratório que produz enzimas e é nelas que reside o poder da vida. É importante gerirmos a nossa própria sustentabilidade.

Na sua prática enquanto naturopata que conhecimento valioso já conseguiu retirar?
Todos os dias no consultório eu recebo lições de vida. Cada pessoa que acompanho e ensino a recuperar a sua saúde, faz-me estar informada, atualizada, sempre a ter de saber o que o mundo descobre pelo bem de cada um de nós. Por exemplo; ando a escrever já outro livro, desta vez sobre o poder da água na vida e no planeta, como ela influência os nossos sistemas. A maior parte das pessoas está literalmente desnutrida de água. Para que neste livro eu possa ter o saber com conhecimento mais fresco, em novembro e dezembro vou para Santiago de Compostela estudar nutrição celular.
Neste momento estou a fazer um estudo sobre fatores de transferência, que são moléculas mensageiras. São um sistema de mensagens imunitárias de grande eficácia, que renovam a programação imunológica de qualquer indivíduo. Estou a aprender como eles vão ao núcleo da célula levar essa informação, para que possa ajudar quem me procura e confia no meu trabalho. Em setembro, volto ao Brasil, por 15 dias para me renovar e trazer mais conhecimento. E assim vou evoluindo, afinal, como digo sempre, sou uma mulher do mundo! Ser naturopata faz de mim uma eterna estudante e isso faz-me bem, porque posso fazer o bem aos outros

Só modas de pessoas que se intitulam doutoras e para isso andamos a estudar 12 anos. Vergonhoso mesmo. Cursos muitas vezes tirados num fim de semana pondo em risco a saúde das pessoas.

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