O futuro e a luta entre duas linhas políticas

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Não vale a pena disfarçar, não vale a pena fingir que não estamos a ver. Há uma acesa luta no seio do partido do poder, o MPLA, entre duas linhas políticas: uma que pretende manter o status quo e outra que pretende que se realizem mudanças no estilo e nas opções da governação.

Tudo isto é patente quer através dos discursos e da postura pública do novo presidente da república, ou através da catadupa de remodelações já efectuadas nos órgãos dirigentes de empresas públicas e nas chefias militares e da Segurança, quer por reacções de personalidades a estas mudanças.

Portanto, o actual presidente da república está desfazendo o que ultimamente fizera o antigo presidente e a afirmar perante o país e o mundo que é ele que conduz o aparelho de estado angolano e que não há (nem pode haver) limitação partidária à sua acção organizativa e governativa porque foi mandatado pelos cidadãos (através de eleições por voto universal) para chefiar o estado e o executivo.

Delimitando claramente o terreno legal e legítimo da sua acção, João Lourenço tem empreendido as remodelações que entende por adequadas, o que provoca sobressaltos, euforias e inquietações. É normal que tal suceda porque havia (e há) muitas tensões na vida política e social do país.

O importante é saber que parte duma anunciada mudança representam estas remodelações. Serão apenas substituições de ordem clientelar ou fazem parte da reestruturação dum parelho estatal e governativo que seja mais transparente, mais eficiente, mais atento aos cidadãos e às desigualdades sociais?

É ainda cedo para vermos claro, porque a concretização de medidas governativas a tomar depende das novas equipas. Contudo, a situação económica e social do país requer tomada de medidas imediatas e estratégicas que indiquem mudança efectiva. Essa mudança requer estabilidade política e confiança entre os cidadãos e destes no Estado. Daí ser necessário desencorajar os desejos de ajuste de contas, daí ser útil criar condições para a acção de todos os que podem contribuir para a urgente diversificação da economia e melhoria das condições sociais: empresários antigos e novos, associações diversas, membros da sociedade civil (incluindo os até agora ostracizados).

São enormes os problemas a resolver, grande é a expectativa geral, encorajante é o momento político que se vive em Angola. Saibamos aproveitá-lo para realizar a necessária mudança.

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