Operação Fizz: Ministério Público investiga Carlos Silva por corrupção activa e branqueamento de capitais

O ex-presidente do Banco Privado Atlântico Europa (BPAE), Carlos Silva, vai ser investigado pelo Ministério Público português pelos crimes de corrupção activa, branqueamento de capitais e falso depoimento no processo Fizz, que condenou o procurador Orlando Figueira por ter arquivado vários processos que corriam contra o ex-vice-presidente de Angola, Manuel Vicente.

O despacho da procuradora Leonor Machado, onde se pede ao juiz autorização para a extracção de certidão a ser enviada ao Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), foi entregue no tribunal no passado sábado.

Segundo o despacho da procuradora, Leonor Machado recorda que foi Carlos Silva quem comunicou a Manuel Vicente, ex-vice-presidente de Angola suspeito de corrupção activa, a intenção do procurador Orlando Figueira de trabalhar em Angola.

“Foi produzida prova testemunhal e documental que, conjugada com a prova já existente nos autos, demonstra ainda que de forma indiciária o envolvimento de Carlos Silva na elaboração dos contratos juntos aos autos”, contratos esses celebrados entre a sociedade Primagest e Orlando Figueira.

Recorde-se que o tribunal deu como provado que estes documentos eram meros formalismos usados para encobrir um caso de corrupção.

“Carlos Silva teria assim transmitido a Manuel Vicente a disponibilidade do arguido Orlando Figueira para ir trabalhar para Angola e Manuel Vicente munido dessa informação, actuando de forma concertada com Paulo Blanco, acordou com Orlando Figueira no arquivamento de dois inquéritos, a troco de contrapartidas monetárias”, refere a procuradora do Ministério Público.

Quanto a Daniel Proença de Carvalho (outra figura central do pedido), a procuradora Leonor Machado recorda uma escuta telefónica , divulgada pelo semanário Sol em primeira mão, em que Orlando Figueira pede a Proença de Carvalho para o representar no processo.

” Oh Sr. Dr., eu penso com toda a franqueza que eu não acho a melhor forma, está a ver? Porque, quer dizer, como sabe a minha intervenção foi mais recente e para eu poder até ser útil nessa matéria, acho que não me parece conveniente”, respondeu o advogado.

Recorde-se que, em Dezembro do ano passado, Orlando Figueira foi condenado a seis anos e oito meses de prisão efectiva pelos crimes de corrupção passiva qualificada, branqueamento de capitais, violação do segredo de justiça e falsificação de documentos.

Fonte: CM

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