Oposição angolana critica falta de respostas do Presidente no discurso sobre o estado da Nação

As principais forças políticas da oposição angolana criticaram os indicadores negativos contidos no discurso proferido hoje pelo Presidente da República , João Lourenço, sobre o estado da Nação.

As principais forças políticas da oposição angolana criticaram esta segunda-feira os indicadores negativos contidos no discurso proferido hoje pelo Presidente da República , João Lourenço, sobre o estado da Nação, que, acusam, “não respondeu a muitas questões”.

A União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), maior partido da oposição angolana, e a Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE) reagiram com críticas ao discurso sobre feito hoje por João Lourenço, na abertura da segunda sessão legislativa da IV legislatura da Assembleia Nacional.

Em declarações à imprensa, o líder da bancada parlamentar da UNITA, Adalberto da Costa Júnior, disse que foi diferente de 2017, com um discurso baseado em promessas, e que João Lourenço desta vez “partilhou efectivamente algumas leituras de diagnóstico do país”.

“Fez um esforço de facto, tem que se reconhecer”, disse Adalberto da Costa Júnior, criticando, no entanto, o facto de não ter respondido ao que considerou serem “as grandes questões sobre a reforma do Estado”, nomeadamente se estaria disponível a rever a Constituição da República, a abrir mão de alguns dos poderes “excessivos” aprovados pelo ex-Presidente, José Eduardo dos Santos, os quais herdou, ou para as eleições presidenciais.

“Não disse rigorosamente nada sobre esta matéria. Temos ainda um país com uma formatação partidária e precisamos de facto e de ‘juris’ fazer uma revisão constitucional, que traga condições para democratizar processos eleitorais, que é outras das questões colocadas de forma muito direta, mas que o Presidente evitou completamente”, salientou.

Por sua vez, o presidente da CASA-CE, Abel Chivukuvuku, disse que o discurso trouxe “poucas novidades e com alguns indicadores negativos, que poderia considerar ilegal”.

“Em termos de política orçamental, os excedentes não podem ser utilizados sem a aprovação da Assembleia Nacional, o que aconteceu”, disse Abel Chivukuvuku, para o facto de o Presidente angolano ter anunciado o uso de 4.000 milhões de dólares provenientes do diferencial positivo da exportação de petróleo, “que serviram para fazer face à dívida interna titulada”.

Abel Chivukuvuku entende que ainda que não é importante fazer-se um balanço neste momento, em que o Presidente da República “teve um ano bastante difícil”, desde logo com a afirmação da autoridade, alcançada no congresso extraordinário, em setembro, do MPLA, partido no poder.

“Foi um ano de aprendizagem. Mas também, em certa medida, foi um ano de lançamento do esforço da luta contra a corrupção. Mas há muito a fazer, em primeiro lugar, a vida das populações, neste primeiro ano de governação piorou”, frisou.

“O que nós queremos é encorajar o senhor Presidente a continuar na luta pela moralização da sociedade, que não é só a luta pela corrupção, mudar uma série de leis e optar pela meritocracia e acabar só com os quadros do partido para governação. O que nós queremos hoje é encorajar, mas o discurso hoje foi vazio e sem novidades”, salientou.

O líder da CASA-CE lamentou o facto de o Presidente angolano não estar “a perceber que as mudanças profundas em Angola, não se fazem sem reforma constitucional, sem reforma do Estado”.

Fonte: Lusa

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