Orgulho que trava

Quase todas as pessoas são matéria-prima fértil no que toca à mudança. Existe essa possibilidade para todos, de fazer qualquer coisa a que se proponham. Para todos menos para um tipo de pessoa: aquela que diz que não precisa de ajuda.

Falava com uma atleta há pouco tempo, ela dizia que não precisava de nada da minha parte, que estava bem e que não queria mudar nada nela, porque gostava da sua forma de ser. Como se o meu trabalho fosse mudar formas de ser…

A minha resposta foi: “Interessante dizeres-me isso… Ainda há uns dias falei com um dos melhores atletas da Liga, e ele disse que queria melhorar várias coisas. Tu deves ser bem melhor que ele então…” Ela ficou calada…

Expliquei-lhe o meu ponto de vista… Para que precises de ajuda não precisas de estar mal, apenas precisas de querer mais! De ter fome e sede de crescimento! De querer ser extraordinário, diferente, destinto.

Podes ser feliz e querer ser mais feliz! Podes ter boas condições e querer ter ainda melhores! Podes ser bom atleta e querer chegar à Top Performance.

Mas o orgulho, aquele bicho venenoso que te faz parar no tempo, faz com que aches que sabes tudo, e rouba-te a possibilidade de crescer.

A vulnerabilidade de admitir que queres mais, que não estás satisfeito, e que sabes que podes ser melhor, é o que te faz avançar.

Gosto imenso de ver aquele programa em que as pessoas entram numa casa para perder peso. Pessoas que já chegaram a um ponto de ter várias doenças relacionadas ao excesso de massa gorda, vão para um lugar onde são treinados num ginásio por treinadores conceituados, e também são ensinados a comer de forma saudável.

As transformações são incríveis. Os concorrente perdem sempre entre 30% a 50% da sua massa corporal, mudando completamente o estilo de vida. O vencedor, que é quem perde mais percentagem de massa corporal, ganha 250 mil dólares.

Recentemente estive a tentar entender o que fazia o vencedor, e se de início haveria uma forma de prever mais ou menos quem é que iria ter sucesso nessa jornada, ganhando o primeiro lugar ou não. E depois percebi:

Os que chegam ao fim com mais sucesso, são os que não têm medo de ser vulneráveis no processo.

Não têm medo de admitir erros, de mudar comportamentos, de ajustar certas formas de pensar, de pedir ajuda. Estão abertos para aprender, e para se entregarem a um processo de transformação.

Os que chegam mais longe não ficam com manias de que não precisam de ninguém. Todos precisamos de alguém. Nenhum ser humanos vive sozinho.

Os que nitidamente não têm sucesso nessa jornada (ou noutra qualquer), são os que se acham demasiado bons para mostrarem os seus medos. Aquilo que se esconde acaba por se manifestar de uma outra maneira.

Olho para as pessoas que fazem história neste mundo e vejo que têm uma coisa em comum: constante movimento!

Nunca se atreveram a dizer que já chega. Ou que não precisam de mais nada. Neste sentido a vida pode ser vista como um passeio de bicicleta, quando paramos, caímos. Há que continuar a pedalar.

Quanto mais avanço na minha vida, mais vejo que preciso continuar a avançar. Quando mais estudo e aprendo, mais vejo o quando ainda preciso aprender. Porque quando ando num caminho novo, descubro outros cem caminhos mais. Quando conheço pessoas novas, não hesito em absorver o máximo das experiências que têm para me contar. Experiências que eu não vivi, e que só de ouvir me abrem mais horizontes. E sim, eu preciso de ajuda para aprender, de outros pontos de vista, de apoio, de conselhos…

É nesse sentido que a nossa vida pode ser vivida sem limites. Se eu não aceito ajuda de ninguém, e acho que não preciso de nada porque estou bem assim, acabei de limitar-me. Pois estou a assumir que já está tudo feito, que cheguei ao máximo das minhas capacidades e que que não há nada a melhorar.

Escolhe as pessoas certas para fazer parte do teu círculo pessoal. Pessoas que tenham a mesma visão que tu… A partir daí não há impossíveis.

Há uma frase que diz que, por muito que as coisas estejam mal, podem sempre piorar, é por isso que devemos ser gratos pelo que temos, ainda que seja pouco.

Hoje tenho a dizer que, por muito que as coisas estejam bem, elas podem sempre melhorar, então não pares!

Até para a semana!

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