Os valores humanos são universais não têm cor

Mandaram-me agora um texto publicado ano passado em dois jornais online da África do Sul – o Sowetan Live e o Cape Messenger – com um artigo do colunista Prince Mashele. Critica feroz a Jacob Zuma através de ironia radical. O próprio título abre essa ironia: graças a Zuma a África do Sul passou finalmente a ser um país africano. Escreve Mashele que nos “países africanos típicos” as pessoas não esperam nada dos políticos, pois sabem a distancia existente entre seus discursos e a prática. Os sul-africanos acreditaram – sob as presidências de Mandela e Mbeki – que eram diferentes e, por isso, fariam um país muito melhor que a média continental. Mas, ironiza Mashele, Zuma veio chamar á realidade e introduzir práticas em consonância até com postulados do Boko Haram (que significa “rejeitar a educação ocidental”) e isso de deixar o poder por decisão judicial é coisa para a Islândia, são valores ocidentais, sem significado para África.

A ironia torna-se radical quando ele escreve que Zuma “suspeita dos educados” e dos “negros inteligentes”. Então, desenvolve a sua raiva – porque a ironia muitas vezes traduz raiva – assinalando que o atual Presidente da África do Sul puxou o país para as praticas políticas e respectivos resultados sócio-economicas do resto do continente.
A questão dos valores é efetivamente um tema em debate por todo o lado. Em África, quando se quer justificar certas praticas opressivas ou delinquentes (como roubo por parte dos detentores do poder), fala-se em valores africanos e, de novo, muitos desses setores apontam a democracia como valor ocidental. Impostura para justificar autoritarismo, privilégios e mesmo a estupidez grotesca.

O artigo de Prince Mashele chama-nos a atenção para tais imposturas e, podemos aqui acrescentar-lhe: o respeito pela pessoa humana e pela boa conduta nos negócios públicos, são valores sem continente nem região do mundo. Todas as sociedades sempre os desejaram e desejam. Os que vêm com papos furados apenas querem enganar-nos.

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