Óscar Ribas inscrito na toponímia de Cascais

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Óscar Ribas, um dos maiores expoentes da cultura angolana foi inscrito na toponímia de Cascais, freguesia de Alcabideche, em homenagem ao período da sua vida passado no Lar da Santa Casa da Misericórdia de Cascais, nas Fisgas (Alcoitão), de 1983 até ao seu falecimento, a 18 de Junho de 2004.

É prática das Câmaras Municipais atribuírem nomes de figuras de relevo às respectivas localidades.

Nascido em Luanda a 17 de Agosto de 1909, Óscar Ribas perdeu a visão aos 36 anos, como consequência de uma doença congénita (retinite pigmentária), tendo no entanto trabalhado na preservação, pela escrita, da memória tradicional angolana.

Tem uma vasta obra publicada e reconhecida em Portugal, da qual “Cultuando as Musas” de 1993, o único de poesia, foi apresentado no Teatro Mirita Casimiro, no Monte Estoril. O seu “Dicionário de Regionalismos Angolanos”, solenemente lançado em Lisboa, constitui, sem dúvida, a sua obra maior , pelo exaustivo trabalho de pesquisa que representa. A trilogia “Missosso”, “Ilundo”, “Izomba”, são igualmente livros que fazem parte dos clássicos da literatura angolana.

Já em 2000, o Município de Cascais atribuiu ao escritor a medalha de mérito cultural e, a 25 de Maio de 2000, em que se comemorou o Dia de África, prestou- lhe significativa homenagem.

Falando em exclusivo para a Vivências Press News, Luandino de Carvalho, Adido Cultural da Embaixada de Angola em Portugal, enalteceu o gesto da Câmara Municipal de Cascais e realçou o papel da toponímia na valorização cultural e histórica de Angola e Portugal.

“Este é um gesto nobre e louvável das autoridades portuguesas, que através da Câmara Municipal de Cascais decidiram honrar o nome e a figura de Óscar Ribas. Depois da rua Dr. António Agostinho Neto, da avenida Raul Indipwo, da rua Mário Pinto de Andrade, este acaba por ser um reconhecimento do papel que estas e outras figuras angolanas desempenhara no processo histórico e cultural de Angola e de Portugal, através da sua intervenção social, cívica, política, cultural e académica. Parabéns ao promotores da iniciativa. Óscar Ribas merece e Angola agradece”, afirmou Luandino de Carvalho.

Óscar Ribas tem em Luanda um museu e uma universidade com o seu nome . É considerado fundador da ficção literária moderna angolana, após António de Assis Júnior. Se não fosse Óscar Ribas ter-se-iam perdido no tempo que passa histórias ancestrais da cultura angolana.

Em 2000, o Presidente José Eduardo dos Santos, entregou ao escritor Óscar Ribas, em Luanda, o Prémio Nacional de Cultura e Artes nas categorias de Literatura e de Investigação em Ciências Humanas e Sociais.

Em 2009, o jornalista angolano Gabriel Baguet Júnior, apresentou em Lisboa a primeira fotobiografia de Óscar Ribas intitulada : ” Óscar Ribas – A memória com a escrita”.

Fonte : José D’Encarnação.

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