Perigo ambiental no novo mercado do Lobito

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O engenheiro ambiental Isaac Sassoma manifestou-se esta quinta-feira contra o projecto de construção de um mercado informal na zona do Chivili, bairro São João, na sequência da desactivação da praça do Tchapanguele, apontando diversos efeitos nefastos sobre o ambiente no local.

Em declarações à Angop, o engenheiro ambiental e docente do Instituto Superior Politécnico Católico de Benguela (ISPOCAB) considera que o projecto falha na vertente do estudo de impacto ambiental, sobretudo, pelo facto de a zona proposta para o mercado ter sido uma antiga salina e ainda funcionar como “respirador do mar”.

O académico sustenta os seus argumentos com o facto de a zona do Chivili-São João ser a principal linha de escoamento das águas pluviais de todas as áreas da Zona Alta do Lobito e a falta de um estudo “geotécnico, pedológico e hidrológico” tornar maior o risco de inundações nas áreas adjacentes ao futuro mercado.

É nesse contexto que anunciou que um grupo de ambientalistas e académicos deu já entrada, há dias, no Tribunal da Comarca do Lobito, na área cível-administrativo, de uma providência cautelar para travar a implementação do projecto e salvaguardar o desenvolvimento sustentável.

“Aquilo é um crime ambiental. E já entrou a causa no Tribunal da Comarca do Lobito”, denuncia o responsável, alertando que até estão a entulhar por cima de valas existentes no Canine, de onde parte uma outra vala até ao São Miguel, passando pelo bairro da Cassai, para desaguar no mar.

Para Isaac Sassoma, o projecto não é sustentável porque não contempla a contenção das águas pluviais nem tão-pouco a requalificação das valas de drenagem e melhoria dos acessos, uma situação que, a seu ver, poderá vir a agravar os já crónicos problemas do bairro São João no capítulo do saneamento e resíduos sólidos.

Administrador do Lobito vê solução certa

Em resposta às preocupações de ambientalistas e moradores, o administrador municipal do Lobito, Carlos Vasconcelos, olha para a construção do novo mercado no também conhecido perímetro industrial da zona 3 como a solução certa.

Segundo este administrador, o novo local é duas ou três vezes maior em espaço e mobilidade que os anteriores mercados informais do Tchapanguele, Compão e da Calumba, desactivados na primeira fase do estado de emergência, pelas inaceitáveis condições de higiene e salubridade.

O responsável deixou transparecer que, apesar das críticas dirigidas à administração, o projecto segue de “vento em popa”. “Hoje, menos de dois meses do arranque das obras do mercado, recebemos de vários munícipes, parte deles moradores nos arredores do novo mercado, sugestões de melhorias”.

Segundo o responsável da província, as sugestões apontam para a necessidade do reperfilamento e da funcionalidade das valas de drenagem para dissipar os equívocos em torno da selecção do referido local.

Uma vez mais, o ambientalista Isaac Sassoma critica o facto de as autoridades se preocuparem apenas em cumprir a promessa feita aos feirantes do antigo Tchapanguele, em detrimento da preservação do património natural e do desenvolvimento sustentável, num momento em que o aterro na zona do Chivili segue a um ritmo acelerado, o que se depreende, referiu, do “vaivém” de pelo menos 14 camiões por dia carregados com entulho.

Considera inaceitável executar um projecto desta dimensão sem uma avaliação ambiental rigorosa, submetida a consulta pública, e admite que, se nada for feito, as águas do local tenderão a galgar para as suas margens, em caso de subida da maré, podendo afectar danos em infra-estruturas económicas, como estradas e um posto de combustível da Bolama.

Para os ambientalistas, a transferência da praça do Tchapanguele para a zona do Chivile poderá provocar produção e descarte de resíduos sólidos a céu aberto e contaminação e alteração do pH dos solos adjacentes, a par da contaminação da água e do ar, alto índice de degradação do habitat dos flamingos e estuários dos subaquáticos.

Projectado num espaço de 17 hectares, com áreas para armazéns, parque de estacionamento, posto de polícia e bombeiros, este mercado informal a céu aberto poderá receber os mais de cinco mil vendedores do Tchapanguele, que era o maior do município do Lobito.

Fonte: Angop

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