Perigosos caminhos a evitar

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Neste momento, em Angola, no combate político, na luta pelo espaço de afirmação no seio do poder, ou mesmo na luta por posições preponderantes na sociedade, voltam a ser esgrimidos de maneira frenética os argumentos de exclusão.

Um deles é a evocação da cor da pele (clara), como elemento desclassificador do indivíduo; depois são os argumentos étnicos ou culturais para se obter a classificação de «genuíno», comparando-se os indivíduos negros de nomes bantus com aqueles de nomes da língua portuguesa, comparando os nascidos nas cidades com ou nascidos no interior do país. Neste camuflado ou aberto processo de exclusão, até entram as referências às origens dos progenitores: moçambicano, guineense, são-tomense, congolês, etc.

É um caminho perigoso este de utilizar os argumentos acima citados numa preconcebida ou irreflectida retórica de exclusão dos cidadãos. Porquê?

Primeiro porque Angola tem características próprias, que a distinguem dos outros países africanos, devido ao intrínseco processo histórico. Angola possui uma população diversa em cores, etnias e culturas, tem uma elite dirigente moderna de matriz essencialmente urbana com mais de dois séculos de formação e afirmação.

Segundo, porque o momento é de se pugnar pela inclusão num país onde, com a Independência, foi implantada a postura de exclusão que marcou e ainda marca a sociedade angolana e o poder político. É fundamental trabalhar pela inclusão e rejeitar categoricamente a exclusão.

Terceiro, porque a argumentação baseada em premissas de classificação discriminatória, procurando que indivíduos ou sectores da sociedade sejam excluídos da vida cívica e política nacional, afasta a contribuição de vontades e talentos necessários à construção nacional para a qual é necessária muita e diversa gente.

Quarto, porque os argumentos populistas para conceder ganhos imediatos a quem os utiliza provocam desconfianças entre os cidadãos, desânimos em certos sectores da sociedade e outras gravosas consequências. Umas exclusões levam a outras até formar uma imparável corrente de exclusões que acabará por reduzir o país a uma terra de ninguém, através de divisões na população e antagonismos que podem resultar em conflitos gravíssimos.

Vários intelectuais, corajosamente e fazendo pedagogia, têm abordado temas relacionados com as questões aqui evocadas. Por exemplo, Filipe Zau. Para já, cito apenas o seu artigo “A angolanidade como identidade política”, cuja leitura recomendo vivamente.

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