Portugal, Angola, a página por “virar” e os “doutores em virtude”

Paulo Portas regressou ao papel de comentador, agora na televisão. Este domingo, falou das relações de Portugal e Angola, apelando a um “virar de página” e deixando uma ‘achega’ a quem considera, de forma irónica, “doutores em virtude”.

Entre Portugal e Angola há séculos de história. E há também, nos tempos que correm, algumas dúvidas diplomáticas.

A chegada de João Lourenço ao poder em 2017 permitiu uma mudança num regime que estava há décadas a cargo de José Eduardo dos Santos. Mas entre Portugal e Angola há também sinais de uma relação que ‘esfriou’.

Recentemente, João Lourenço passou por alguns países europeus mas não veio a Portugal. Para Paulo Portas, no seu espaço de comentário televisivo na antena da TVI, há um foco a ter em conta no futuro próximo: “Acho que para nós o que é determinante é que a visita que o primeiro-ministro de Portugal vai fazer a Angola, dentro de algumas semanas, corra bem. E eu diria mesmo que corra [enfatizando] muito bem”.

“Portugal”, prosseguiu, “por razões que não vale a pena agora estar a repetir, perdeu demasiado tempo. E em globalização todo o espaço que se deixa vazio é ocupado por outros e obviamente há muitos países que gostariam de assumir a posição que Portugal tem em Angola, e em geral em África”.

De resto, e prosseguindo no seu alerta, o antigo governante considera que “se nós não temos cuidados com os países com quem podemos ter uma relação que é mesmo especial – tanto cultural, como política, como económica, sobretudo humana – obviamente que outros países, nomeadamente europeus, tenderão a ocupar o espaço que Portugal deixou vazio”.

Questionado por Judite de Sousa sobre se as questões de Justiça, nomeadamente a investigação que chegou até Manuel Vicente, não estarão a contribuir para este possível afastamento, Paulo Portas foi perentório a responder: “Acho que a visita que o primeiro-ministro vai fazer a Angola deve, em primeiro lugar, virar essa página e falar do futuro”.

A visita, acrescentou ainda, “deve ter conteúdo, nomeadamente em termos económicos. Angola está na lista dos 10 países para quem exportamos mais, e até já esteve em quarto lugar”, lembrou. Para além do mais, “há muitos portugueses em Angola” tal como muitas empresas a trabalhar com Angola. “Estamos a falar de interesses que são muito sérios”, enfatizou.

Defende Paulo Portas que, para lá de ter estas questões em mente, António Costa e quem o acompanhar a Angola deverão ter também “um olhar sobre o que é o programa de João Lourenço para o futuro de Angola”, onde “o desenvolvimento humano” é enfatizado.

No que à melhoria das relações diz respeito, diz o antigo líder do CDS que, no seu caso, tentaria “envolver o mais possível Portugal no futuro de Angola e fechar uma página que não correu excessivamente bem na Justiça“.

A página é a de “um caso que envolveu um vice-presidente da República de um Estado estrangeiro e ao qual se aplicam as convenções que toda a gente conhece, embora haja uns doutores em virtude – e a gente não sabe que universidade os doutorou em virtude – que têm uma teoria específica de que Portugal deve cortar relações com todos os sistemas que não sejam ‘iguaizinhos’ aos nossos”, terminou de forma irónica.

Fonte: NM

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