Portugal: Ministro dos Negócios Estrangeiros não comenta repatriamento de capitais decidido por Angola

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O ministro dos Negócios Estrangeiros escusou-se hoje a comentar a decisão do Governo de Angola de conceder um período de graça para que todos os angolanos repatriem capitais do estrangeiro, por se tratar de um “assunto interno” daquele país.

“Não me pronuncio sobre assuntos internos da República de Angola da mesma maneira que a República de Angola não se pronunciou sobre, por exemplo, o nosso Programa Especial de Redução do Endividamento ao Estado (PERES)”, afirmou Augusto Santos Silva.

Santos Silva, que falava aos jornalistas à margem do II Encontro de Investidores da Diáspora, que decorre até sábado, em Viana do Castelo, reagiu assim quando questionado sobre o anúncio feito pelo Presidente angolano, João Lourenço, de um período de graça para que todos os angolanos repatriem capitais do estrangeiro para Angola, findo o qual poderá partir para a forma coerciva.

João Lourenço garantiu que “o executivo vai no início do ano estabelecer um período de graça, durante o qual todos aqueles cidadãos angolanos que repatriarem capitais do estrangeiro para Angola e os investirem na economia, empresas geradoras de bens, de serviços e de empregos, não serão molestados, não serão interrogados das razões de terem tido dinheiro lá fora, não serão processados judicialmente”.

Augusto Santos Silva disse que Portugal e Angola têm “muito boas relações, do ponto de vista político, institucional, económico e cultural” e acrescentou que “essas relações têm-se estreitado”.

“Têm-se estreitado bastante com o novo Presidente, João Lourenço.

Questionado sobre o impacto desta medida nos investimentos que Isabel dos Santos tem em Portugal, Santos Silva disse ser “ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal e representar o Estado português, não tendo que se pronunciar sobre particulares”.

“Há um bom relacionamento económico entre Portugal e Angola. Portugal é o primeiro parceiro comercial de Angola, Angola é um dos nossos maiores parceiros comerciais. É uma das dez economias com as quais nós temos mais relações económicas, do ponto de vista comercial, exportações e importações”, sustentou.

O ministro dos Negócios Estrangeiros sublinhou que, além do “bom” relacionamento económico entre os dois países, “há investimentos portugueses muito importantes em Angola e há investimentos angolanos muito importantes em Portugal”.

“Os investimentos portugueses em Angola contribuem para a produção da riqueza angolana e os investimentos angolanos em Portugal contribuem para a produção da riqueza portuguesa. E é assim que deve ser, porque a cooperação é uma estrada de dois sentidos. Se for só num sentido chama-se outra coisa. Felizmente entre Portugal e Angola há essa cooperação de que ambos beneficiam”, reforçou.

Questionado sobre o mesmo assunto, o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, que também marcou presença na abertura do II Encontro de Investidores da Diáspora, a decorrer em Viana do Castelo, escusou-se a comentar a decisão do governo angolano.

Fonte: Lusa

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