PR quer pôr termo às assimetrias visíveis em muitas regiões do país

O Presidente da Republica, João Lourenço, reafirmou na segunda-feira, na cidade do Lubango, a necessidade de se olhar com igualdade e atenção para todas as demais províncias que compõe o país, de maneiras a reduzir as assimetrias regionais.

Para o Chefe de Estado, que cumpre uma visita de dois dias à província da Huíla, todas as províncias devem ser encaradas como um todo, para evitar as desigualdades de tratamento e oportunidades que ainda se verificam nos distintos municípios do país.

No seu primeiro dia de trabalhos, o Presidente Lourenço manteve um encontro de auscultação com os membros do Governo de Luís da Fonseca Nunes, durante o qual foi informado do actual estado sócio-económico da província.

“A Huíla não é só o Lubango, que é apenas uma cidade; temos de olhar para a província como um todo, a província é forte em agro-pecuária, vamos trabalhar no sentido de tirar melhor proveito desta tradição que os povos desta região têm em termos de pecuária e agricultura”, disse Lourenço.

Durante a referida reunião, em que participaram membros do seu Executivo designadamente alguns titulares de cargos ministeriais com destaque para o das Finanças, Energia e Águas, Ensino Superior, Educação, Saúde e Ordenamento do Território e Urbanismo, o Chefe de Estado angolano destacou as potencialidades agro-pecuárias da província, como uma das molas impulsionadoras da economia nacional se forem muito bem exploradas.

Êxodo rural

O Presidente da República reconheceu, por outro lado, que a cidade capital, Luanda, está bastante “congestionada” devido ao êxodo rural verificado na sequência do conflito armado que assolou o país durante décadas.

Este facto, acrescentou o estadista, conduziu as províncias do interior à perda de qualidade vida e de oportunidades igualitárias em relação a Luanda, daí estar em curso uma estratégia de inversão do quadro.

“O Governo tem olhado com particular atenção para as 17 províncias que compõem o país, sobretudo a província da Huíla, pelas suas potencialidades”, disse João Lourenço, no primeiro dia da sua segunda visita enquanto Chefe do Executivo.

Temos consciência de que, se for apoiada, pode ir bastante longe. Poderá ajudar a descomprimir a cidade de Luanda, porque se nós criarmos melhores condições de trabalho, de vida em outras províncias, com certeza que esta pode ser uma via de descongestionar a cidade que Luanda que atingiu níveis insuportáveis

Estratégia de incentivos à produção nacional

Os criadores de gado na província da Huíla, de algum tempo a esta parte, têm estado a queixar-se da falta de condições para incremento da produtividade com destaque para os matadouros industriais para o suporte da produção de bovinos, esta que é uma das grandes potências da Região Sul do país.

Os criadores e fazendeiros associados na Cooperativa de Criadores de Gado do Sul de Angola (CCGA) afirmaram que se tivesse sido instalado um matadouro industrial, a província poderia contribuir para a redução de gastos que o Governo tem feito com a importação de carne.

Por sua vez, o Presidente da República diz ter conhecimento desta realidade, tendo apontado algumas soluções imediatas para a intervenção do sector privado, sem no entanto, afastar as responsabilidades do Estado no incentivo da produção interna.

“Uma das maiores carências identificadas nesta região é a falta de matadouros para podermos transformar a carne dos animais aqui criados em produto pronto para o consumo. A nossa atenção está também virada para esta necessidade, sem afastar a possibilidade de o Estado fazer investimentos nesse domínio, consideramos que o sector privado também deveria interessar-se em investir na transformação da carne”, rematou Lourenço para quem a conjugação de esforços joga um papel crucial.

Fonte: O País

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