Presidente angolano quer resolução da instabilidade na RDCongo sem interferência externa

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A posição foi hoje assumida na intervenção do chefe de Estado, em Luanda, na tradicional sessão de cumprimentos de ano novo do corpo diplomático acreditado em Angola, pela primeira vez com João Lourenço como Presidente da República, tendo abordado as várias situações de conflito no continente africano.

“Temos que ser cautelosos na abordagem do problema e evitarem-se iniciativas internas, encorajadas ou não a partir do exterior, que fragilizam ainda mais as bases para a resolução desse conflito”, alertou, sobre o vizinho Congo.

Angola preside ao Órgão de Política, Defesa e Segurança da SADC (comunidade de países da África Austral) e nos últimos quatro anos liderou a Conferência Internacional para a Região dos Grandes Lagos (CIRGL).

“Estamos convencidos de que a conjugação dos esforços e iniciativas que ajudem a compor uma solução africana para o problema da RDCongo, sob a égide da União Africana, é a única via capaz de desenvolver fatores positivos que levem os cidadãos congoleses e os principais atores da vida política do Congo a aplicarem as decisões e os acordos já existentes na base dos quais deverá ser resolvido o problema desse país”, apontou.

Acrescentou que “os fatores externos que de alguma forma ajudam a inquinar o processo de solução política do problema da RDCongo devem ser afastados”, para “que se consiga criar uma atmosfera positiva à volta do problema”.

A Missão da ONU na RDCongo (Monusco) vai avaliar “eventuais violações dos Direitos Humanos” durante as “marchas pacíficas” a realizar domingo e convocadas por católicos, que exigem que o Presidente Joseph Kabila abandone o poder.

“Essas equipas [de observadores] serão colocadas nas principais cidades da República Democrática do Congo [RDCongo]. Em Kinshasa, serão compostas por representantes da Missão, da polícia das Nações Unidas e do escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos”, indicou a Monusco, em comunicado.

Em 31 de dezembro do ano passado, seis pessoas morreram na dispersão de uma marcha que tinha sido interditada, de acordo com as Nações Unidas e a Nunciatura Apostólica, enquanto as autoridades da RDCongo não registaram qualquer óbito.

Os protestos verificam-se há vários meses e exigem que o Presidente Kabila diga publicamente que não se candidatará a um terceiro mandato nas eleições adiadas para 23 de dezembro de 2018.

No discurso de hoje, perante os diplomatas acreditados no país, o Presidente angolano referiu-se ainda à situação na República Centro-Africana (RCA), considerando “uma questão de Justiça” que a ONU levante o embargo da venda de armas ao Governo centro-africano, que tenta recuperar o controlo do país após os conflitos religiosos dos últimos anos.

Recordou que é ao atual executivo daquele país que “compete garantir a segurança das populações e a soberania do seu território nacional face à ameaça permanente das forças rebeldes que pretendem destituir, pela força, o Governo legitimamente instituído”, apelando ao apoio internacional na reorganização das estruturas administrativas da RCA.

A situação dos “imigrantes negros na Líbia”, onde se “assiste a escravização de seres humanos em pleno século XXI”, foi igualmente condenada pelo chefe de Estado angolano.

“A África tem que reagir, o mundo tem que reagir, não só para não permitir que tais atos sejam encarados como algo normal, mas também para punir severa e exemplarmente todas as pessoas responsáveis por esse crime, de modo a que se desencoraje, no presente e no futuro, práticas semelhantes em outras partes do mundo”, disse João Lourenço.

Fonte: Lusa

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