Presidente chinês diz que China “nunca vai procurar a hegemonia”

Xi Jinping garantiu hoje que o país “nunca vai procurar a hegemonia”, mesmo quando se aproxima do centro do palco internacional, durante as comemorações dos 40 anos de abertura à iniciativa privada.

Num discurso de hora e meia, o chefe de Estado chinês repetiu o compromisso do país com o sistema multilateral de comércio e a abertura económica, sem mencionar as disputas comerciais em curso com os Estados Unidos da América.

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Xi Jinping assegurou que a China não se vai desenvolver “à custa dos interesses de outros países”.

Mas a crescente influência de Pequim além-fronteiras tem suscitado divergências com as potências ocidentais, que veem uma nova ordem mundial ser moldada por um rival estratégico, com um sistema político e de valores profundamente diferentes.

Do Sudeste Asiático a África, o país tem alargado a presença através do gigantesco projecto de infraestruturas “Uma Faixa, Uma Rota”, visto como uma versão chinesa do Plano Marshall lançado pelos Estados Unidos da América após a Segunda Guerra Mundial, e que permitiu a Washington criar a fundação de alianças que perduram até hoje.

Ao destacar que a China está “gradualmente a aproximar-se do centro do palco internacional”, Xi Jinping notou que o país adopta uma política de defesa nacional defensiva.

“O desenvolvimento da China não constitui uma ameaça para outros países”, afirmou. “Não interessa o quanto se desenvolve, a China não vai procurar a hegemonia”, garantiu.

Xi Jinping sublinhou ainda o papel do antigo líder Deng Xiaoping nas reformas económicas que salvaram o país do colapso, após uma década de violência e caos induzidos pela Revolução Cultural, movimento de massas lançado pelo fundador da República Popular da China, Mao Zedong.

Outras comemorações foram criticadas por minimizarem o contributo de Deng Xiaoping, considerado o arquitecto-chefe das reformas económicas, de forma a elevar o estatuto de Xi Jinping, o mais forte líder chinês desde Mao.

Xi Jinping enfatizou ainda o papel do Partido Comunista na defesa da soberania do país. “Ninguém pode ditar ao povo chinês o que pode ou não fazer”, afirmou.

O discurso não terá aliviado as preocupações de empresários e companhias estrangeiras, que esperavam que Xi Jinping aproveitasse o momento para anunciar medidas concretas de abertura do mercado, visando reduzir o domínio dos conglomerados estatais sobre a economia.

Pequim é acusado de distorcer a concorrência ao subsidiar empresas chinesas e através de práticas comerciais “injustas”, como violações de propriedade industrial ou transferência forçada de tecnologia, em troca de acesso ao mercado. A taxa de câmbio da moeda chinesa, o Yuan, que ainda não é totalmente convertível, continua a ser ditada pelas autoridades.

Numa tentativa de forçar Pequim a realizar “mudanças estruturais”, o Presidente norte-americano, Donald Trump, impôs já taxas alfandegárias sobre 250 mil milhões de dólares de bens chineses.

Porém, Xi Jinping considerou, no discurso, que os feitos económicos dos últimos 40 anos legitimam o “socialismo com características chinesas”, um modelo que permite a iniciativa privada, enquanto o papel dirigente do Partido Comunista Chinês (PCC) continua a ser o “princípio cardeal”.

Xi Jinping assegurou que Pequim vai continuar a promover a abertura e o desenvolvimento, mas ao seu próprio ritmo. ” Mudaremos resolutamente o que pode ser reformado, e não mudaremos, resolutamente, o que não pode ser mudado”, declarou.

Fonte: Lusa.

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