Presidente de Angola “consternado” com morte de ícone do ciclismo angolano

O Presidente de Angola afirmou-se hoje “profundamente consternado” com a morte de Alberto da Silva “Pepino”, ícone do ciclismo angolano, que morreu sábado à noite num hospital de Benguela, vítima, aos 95 anos, de um acidente cardiovascular.

“Com profunda consternação, tomei conhecimento do passamento físico do ciclista veterano benguelense Alberto da Silva, marceneiro de profissão, a quem os seus familiares, amigos e admiradores apelidavam carinhosamente de ‘Pepino'”, indica João Lourenço numa mensagem de condolências dirigida à família.

Para o chefe de Estado angolano, “Pepino” granjeou em vida o respeito de todos os angolanos a partir do momento em que, já numa idade avançada, demonstrou a capacidade de se superar e de servir de exemplo para as novas gerações, envolvendo-se em competições em que, empenhada e dedicadamente, punha à prova e excedia os seus próprios limites de resistência.

“É justo que destaquemos nesta hora os inúmeros títulos nacionais e internacionais conquistados ao longo da sua carreira, em especial a sua participação em 2009 nos Jogos Olímpicos da Terceira Idade, em São Francisco, nos EUA, para onde regressou quatro anos depois tornando-se campeão mundial na sua categoria. Recebeu em vida inúmeras medalhas como reconhecimento pelos seus feitos em prol do ciclismo”, sublinhou João Lourenço.

Nesse sentido, o Presidente angolano formulou o desejo de que, “o legado de humildade, força de vontade, disciplina, dedicação ao desporto e de amor à Pátria” de Alberto da Silva, sirva de “exemplo para as atuais e futuras gerações, pois elas são a melhor expressão das reais qualidades do Povo”.

“Nesta hora de luto e de dor, quero, em nome do Povo e do Governo da República de Angola, e no meu próprio, prestar homenagem a este verdadeiro ícone do desporto nacional e internacional e exprimir as mais profundas condolências à família enlutada, amigos e colegas desportistas e também à sua extensa legião de admiradores”, declarou João Lourenço.

Natural da província de Benguela, onde nasceu a 24 de outubro de 1922, Alberto da Silva foi, a 01 de julho último, homenageado na sua terra natal pelo Governo angolano, que destacou os feitos em prol do país, tendo, na ocasião, a ministra da Juventude e Desportos, Ana Paula Sacramento, destacado as qualidades de “Pepino”,

Alberto da Silva “Pepino” começou a sua atividade desportista desde tenra idade, tendo praticado atletismo, futebol e ciclismo, tendo realizado várias digressões pelo país de bicicleta em homenagem aos heróis da pátria, antigos combatentes e crianças pobres.

Em 2009, “Pepino” participou em 2009 pela primeira vez nos Jogos Olímpicos da Terceira Idade, na Califórnia, nos Estados Unidos. Em 2013 voltou a concorrer, tendo conquistado duas medalhas de ouro.

Em 1973, com 53 anos, Alberto Silva correu a pé, em 47 horas, a distância entre Huambo e Benguela. Fora uma aposta com amigos e ganhou 100 contos portugueses pelo feito.

Mais tarde, em 1975, por ocasião da independência, superou o seu recorde pessoal, ao cobrir, também a pé, os 700 quilómetros que separam Benguela de Luanda, saudando o advento da Independência de Angola e os seus precursores, em memória das viúvas e dos órfãos da guerra, ganhando a simpatia de todo o povo angolano.

Em 2005, decidiu fazer o mesmo percurso em bicicleta.

Verdadeiro nacionalista, “Pepino” era serralheiro de profissão, proprietário da Marcenaria Muxima, encravada nas traseiras do Hotel Luso, propriedade da família, em Benguela.

“Pepino” foi amigo pessoal do primeiro Presidente de Angola, Agostinho Neto, a quem, segundo reza a história, chegou a oferecer uma mobília completa.

Atleta lendário, começou como futebolista nas grandes equipas de Angola no final dos anos 30 e 40 do século passado, ao mesmo tempo que praticava atletismo. Quando todos pensavam que “Pepino” iria “pendurar as chuteiras” no futebol, escolheu a bicicleta como sua inseparável companheira.

Fonte: Lusa

Deixe o seu comentário