Primeira-dama de Angola em Belém

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Marcelo Rebelo de Sousa recebeu na semana passada a esposa do Presidente de Angola, Ana Dias Lourenço, que foi ministra do Planeamento com José Eduardo dos Santos e economista do Banco Mundial. A Presidência da República não quis comentar ” o que não consta da agenda oficial ” de Marcelo Rebelo de Sousa, mas o Expresso sabe que a primeira-dama de Angola, de visita privada a Lisboa esteve no Palácio de Belém para tomar um chá/ jantar privado com Marcelo Rebelo de Sousa.

O PR de Portugal desdramatiza as relações com Angola e numa reunião que teve já esta semana com as assessorias afirmou que por muito que as tensões em torno do caso Manuel Vicente persistam “nunca haverá represálias” sobre Lisboa. “Angola não é problema”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, que se mantém convicto de que manter os laços privilegiados entre os dois países vai ser acautelado por ambos.

A diplomacia presidencial está em marcha e informações recolhidas em Luanda dão conta de que em defesa de uma política de porta aberta a Lisboa, o Presidente João Lourenço não hesitou esta semana em dar luz verde à presença de uma delegação de alto nível numa conferência económica sobre Angola, que Marcelo Rebelo de Sousa pretenderá organizar em breve. Contactada, fonte de Belém diz que “não”, Marcelo não está a organizar nada. Mas os sinais inequívocos. Embora firme na defesa da total autonomia da Justiça portuguesa, o poder político faz tudo o que pode para amaciar as relações.

O facto de ainda faltar a decisão do Tribunal da Relação de Lisboa sobre a transferência ou não para Luanda do processo que envolve o ex-vice-presidente de Angola, Manuel Vicente, está a ser acompanhado com expectativa pelas autoridades dos dois países. Se a Relação ser luz verde à transferência, o problema está resolvido. Se o Tribunal confirmar que o julgamento deve correr em Portugal, a convicção de Marcelo é de que, mesmo assim, as boas relações podem prevalecer.

“Este Presidente não está para brincadeiras !” É desta forma que um funcionário da Presidência angolana retrata a firmeza de João Lourenço em não abrir mão da defesa de Manuel Vicente, apanhado nas malhas da “Operação Fizz”. Angola, através da Procuradoria-Geral da República, enviou esta semana uma notificação à PGR portuguesa para que esta remeta ao tribunal um pedido de transferência para Luanda do processo que envolve Manuel Vicente. Sem dizer a palavra Angola, porém, Joana Marques Vidal já respondeu, na abertura do ano judicial: deixou claro que honra os acordos de cooperação e exigiu “respeito mútuo “.

Fonte: Expresso.

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