Primeiro leilão de diamantes brutos em Angola rendeu 16,7 milhões de dólares

Organizado pela Sociedade de Comercialização de Diamantes, o leilão contemplou a venda de um lote de sete “pedras especiais”, assim qualificadas por ultrapassarem 10,8 quilates

O primeiro leilão de diamantes brutos realizado em Angola rendeu 16,7 milhões de dólares (14,5 milhões de euros), anunciou nesta quinta-feira a empresa Sodiam, do grupo diamantífero estatal angolano. Segundo um comunicado da diamantífera, enviado à agência Lusa, em Luanda, o montante total arrecadado com o leilão das sete “pedras especiais” foi de 16.696.696,27 milhões de dólares, saindo vencedoras as empresas Arslanian Group DMCC, Blue Glacier Diamonds, Kapu Gems, Shree Ramkrishna Export Pvt Ltd, M.B.D. BVDA, Julius Klein Group.

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Organizado pela Sociedade de Comercialização de Diamantes (Sodiam), empresa pública, o leilão contemplou a venda de um lote de sete “pedras especiais”, assim qualificadas por ultrapassarem os 10,8 quilates, provenientes da Sociedade Mineira do Lulo, com entre 43,25 e 114,94 quilates. No leilão participaram 31 empresas, provenientes de oito países, designadamente Angola, Bélgica, Emirados Árabes Unidos, Índia, Estados Unidos, África do Sul, Israel e China.

O primeiro leilão de pedras brutas, iniciado às 00h00 (23h00 de terça-feira em Lisboa) de quarta-feira e que encerrou hoje às 12h00 (11h00 de Lisboa) foi concretizado com a implementação da Política de Comercialização de Diamantes, aprovada pelo Decreto Presidencial nº175/18, de 27 de julho de 2018. O modelo escolhido para a sua realização foi o de um “leilão por concurso” – normalmente designado por “Tender”, em que as empresas participantes apresentaram as licitações em modelo fechado, que permite obter maior valor para as pedras em leilão.

As licitações foram feitas ‘online’, numa plataforma eletrónica criada e desenvolvida para Sodiam para o efeito, em que as empresas participantes se registaram previamente.

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Com o montante das vendas, o Estado angolano vai arrecadar em impostos 7,5% do total (5% de royalties e 2,5% de Imposto Industrial Antecipado), ou seja, segundo as contas da Lusa, 1,25 milhões de dólares (quase 1,1 milhões de euros).

Os sete diamantes são todos oriundos da Sociedade Mineira do Lulo, na província da Lunda Norte, “zona que tem um grande potencial para novas pedras especiais”, tal como afirmou terça-feira o ministro dos Recursos Minerais e Petróleos angolano, Diamantino Azevedo. A Sodiam não adiantou, na informação de hoje, os montantes que atingiram os diferentes diamantes.

Hoje, e citado no comunicado, Diamantino Azevedo sublinhou a importância deste primeiro leilão e o “momento histórico” que representa para Angola. “Os resultados obtidos deixam o Governo, o Ministério e todas as entidades envolvidas deveras satisfeitas. Quer pelo resultado obtido, quer pela forma eficiente, profissional e transparente em que assentou todo o processo”, afirmou.

Por seu lado, e também citado no comunicado, Eugénio Bravo da Rosa, presidente do Conselho de Administração da Sodiam, disse que este “primeiro passo não poderia ter corrido melhor”, atendendo ao curto espaço de tempo em que foi preparado. Ainda citado no mesmo comunicado, José Manuel Ganga Júnior, presidente da Endiama – que participou no leilão enquanto concessionária e acionista da Sociedade Mineira do Lulo -, sublinhou que a iniciativa “simboliza um inequívoco sinal de abertura de Angola aos investidores do setor, reunindo qualidade, transparência e regras de mercado livre, em linha com os padrões internacionais”.

Já Stephen Wetherall, diretor executivo da Lucapa Diamonds, acionista de referência da Sociedade Mineira do Lulo, congratulou-se com o resultado obtido. “Os preços oferecidos pelo grande número de ‘players’ internacionais que participaram neste histórico leilão em Angola refletem o verdadeiro valor dos diamantes da Sociedade Mineira do Lulo”, sublinhou Wetherall.

Para o diretor executivo da Lucapa Diamonds, o valor adicional obtido no leilão resulta das principais reformas que estão a ser “eficazmente implementadas em Angola” no domínio da comercialização de diamantes. “Esperamos ansiosos pela oportunidade de participarmos na realização de outros leilões, ao longo deste ano, para os quais traremos mais diamantes excecionais do Lulo, ao abrigo da nova lei e do novo regulamento de comercialização de diamantes, cuja implementação está a ser feita de forma exemplar”, acrescentou.

Fonte: Lusa

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