Processo Fizz: Novas situações envolvem banqueiro Carlos Silva

O Banco Atlântico Europa (BAE) e o seu ex-presidente, Carlos Silva, são os principais visados no despacho do Juiz Alfredo Costa que preside ao colectivo que julgou o Processo Fizz.

Com efeito, a alteração dos factos decidida no caso que julga o crime de corrupção passiva e branqueamento de capitais do procurador Orlando Figueira, às mãos do ex-vice-presidente de Angola, Manuel Domingos Vicente, compromete a instituição financeira e o banqueiro que, em juízo, negou sempre ter contratado o procurador.

No despacho que obrigou ao adiamento da leitura da sentença no passado dia 8, aditam-se os seguintes factos : em primeiro lugar o reconhecimento de uma operação financeira da Sonangol realizada em 2011, que injectou 50 milhões de dólares no Banco Privado Atlântico, instituição angolana liderada por Carlos Silva que controlava o BAE.

Em segundo lugar, o reconhecimento que o BAE só escreveu ao procurador Orlando Figueira em Março de 2018, a pedir o reembolso do empréstimo de 130 mil euros, quando este empréstimo já devia ter sido pago em Novembro de 2016.

Por último, o Juiz dá como certo que, em 14 de Outubro de 2009, no âmbito de uma investigação, Carlos Silva foi interrogado para memória futura por Orlando Figueira e pelo juiz de instrução criminal, Carlos Alexandre.

Estas novas realidades trazem outra vez para a actualidade a intenção (ainda não concretizada) deixada pela procuradora Leonor Machado de extrair certidões relativamente aos testemunhos de Carlos Silva e Daniel Proença de Carvalho.

Carlos Silva banqueiro formado em Direito em Portugal, estagiário de Francisco Cruz Martins e que montou escritório em Luanda com ajuda de Toninho Van-Dúnem (antigo secretário do Conselho de Ministros) pode estar agora a braços com a Justiça portuguesa.

Ricardo Salgado prometeu-lhe liderança do BESA

Carlos Silva, que disse em julgamento não ser “inimigo” de Álvaro Sobrinho, foi o primeiro director do escritório de representação do BES em Angola, com a promessa de Ricardo Salgado que subiria a presidente quando o BES tivesse licença bancária. Contudo, Ricardo Salgado acabou escolhendo Álvaro Sobrinho para o cargo. Desde este período, os antigos colegas de academia em Lisboa e amigos de amenas cavaqueiras, criaram entre si um “ódio de estimação”.

Por outro lado, a relação entre Carlos Silva e Daniel Proença de Carvalho remonta à constituição da sociedade InterOceânico em 2009, quando o banqueiro entra no capital do BCP e convence Hipólito Pires e Francisco Pinto Balsemão a entrarem na mesma sociedade. A InterOceânico chega a ter 2,52% do capital do BCP. Uma posição que é alienada no final de 2016.

O Banco Privado Atlântico Europa (BPAE) foi fundado em 2009 por Carlos Silva. Em Julho de 2017 mudou de nome para Atlântico Europa.

Carlos José da Silva nasceu em Luanda aos 06 de Janeiro de 1966. É licenciado em Ciências Jurídicas pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Tem nacionalidade portuguesa e ao que a Vivências Press News apurou terá há dois anos adquirido nacionalidade britânica.

Fonte: Correio da Manhã

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