Produtora angolana Geração 80 apresenta novos trabalhos em Lisboa

kalola Store

Os projectos visuais da produtora angolana Geração 80 darão a conhecer novos trabalhos e autores, na quarta edição da Mostra de Cinema Olhares Sobre Angola, a ter lugar no HANGAR, em Lisboa, entre quarta e quinta-feira desta semana.

A mostra abre na quarta-feira, pelas 19:00, com a projeção de uma seleção de obras realizadas pela produtora nos últimos anos, tendo Angola como pano de fundo.

Intitulada “A Nossa Geração”, o conjunto de produções trata-se de uma breve retrospectiva, que irá contar com videoclipes do álbum “Gatuno Emigrante & Pai de Família” – lançado em 2016 – pelo cantor Nástio Mosquito, assim como com os bastidores do documentário “Independência” (2015).

Realizada por Fradique, esta longa-metragem valeu ao cineasta – natural de Luanda – o Prémio Nacional da Cultura de Angola e a distinção de Melhor Documentário do Festival Internacional dos Camarões, em 2016, focando-se nos “anos de luta [que] determinaram o rumo de Angola após 1975”.

O filme dará continuação à noite de quarta-feira, pretendendo narrar a história de uma independência “proclamada já em clima de guerra, mas com muita emoção e orgulho”, descreve o texto de apresentação da obra, que chegou a integrar as seleções oficiais dos festivais de cinema Pan Africano (Estados Unidos), de Luxor (Egito) e de Durban (África do Sul). A sessão contará, ainda, com a presença da diretora de fotografia Kamy Lara, acompanhada do sociólogo Manuel Dias dos Santos.

De acordo com o perfil biográfico traçado no comunicado, Lara encontra-se a trabalhar no seu primeiro documentário, denominado “Palco Invertido”, composto por filmagens do processo de bastidores de um dos espetáculos da Companhia de Dança Contemporânea de Angola.

A responsável pela fotografia da produtora à qual a mostra se dedica volta a ser incluída nos eventos de quinta-feira, pautados pela exibição de uma série de curtas-metragens, debruçadas sobre a vida quotidiana da população e escolhidas pela equipa da Geração 80, na mostra com curadoria de Maria do Sameiro André e Jorge António.

Enquanto “Alambamento” (2008) volta a colocar a ênfase no trabalho do realizador Fradique, as curtas “A Luz No Quarto Era Vermelha Porque Não Existia” (2016) e “Há Um Zumbido, Há Um Mosquito, São Dois” (2017) são exemplos das criações de Ery Claver, ambas integradas na exposição coletiva “Fucking Globo”, de Luanda, recentemente.

A última curta-metragem, “Havemos de Voltar” (2017), da autoria de Kiluanje Kia Henda, sintetiza um projeto mais longo, com o intuito de apresentar uma reflexão quanto “[ao] momento artístico contemporâneo vivido em Angola”.

O fecho do ciclo, pelas 21:00, será assinalado com a visualização do documentário “Do Outro Lado Do Mundo” (2016), cuja realização e fotografia ficaram a cargo de Sérgio Afonso. Rodado entre as cidades de Luanda e Bentiaba, o primeiro grande projeto do artista foi selecionado para o programa DOCTV CPLP II, com vista a incitar ao debate “das relações humanas contemporâneas derivadas do intercâmbio entre Angola e China”.

O enredo abrange duas histórias de amor, “protagonizadas por duas mulheres de culturas diferentes [que] partilham a coragem e a ousadia de mudar o seu destino e quebrar barreiras culturais em prol da felicidade”.

A produtora Geração 80 surgiu em 2010, graças aos esforços do realizador Fradique (Mário Bastos) e dos produtores Tchiloia Lara e Jorge Cohen, interessados em difundir e documentar através de imagens o dia-a-dia de Angola, no qual a organização está sediada.

Ao mesmo tempo, o grupo espera “inspirar uma geração”, encarando a cultura como sinónimo de “mudança, crítica [e de] construção de uma identidade”.

Fonte: Lusa

Deixe o seu comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.