Profissionais angolanos garantem segurança na passagem de ano

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A passagem de ano é sinónimo de festa, mas vários profissionais angolanos, bombeiros, polícias e médicos, estão já escalados em Luanda para o serviço e assumem-se “prontos para acudir qualquer ocorrência”, mesmo longe das famílias.

A garantia de prontidão no asseguramento da passagem de ano é prometida pelo agente bombeiro de segunda classe Octávio de Carvalho, que há nove anos entra em “prevenção” nesta fase do ano, em Luanda, sublinhando que a família teve de se adaptar.

“Já se tornou uma rotina mostrar sempre a prontidão, já sabemos que a partir de outubro começamos já a preparar a fase de prevenção e em dezembro é a família estar também sensibilizada”, já que, como especialista que sou, devo estar disponível para servir o país nesta fase agitada”, contou.

Para o bombeiro, que é comandante da Companhia de Resgate, Busca e Salvamento do Quartel Principal de Luanda do Serviço de Proteção Civil e Bombeiros, a distância da família é já uma questão de hábito.

“Há momentos que são realmente mais apertados, mas acreditamos que pelo tempo a família ganhou já um certo costume com isso e já conhece que o papá, o esposo, nesta fase deve estar imbuído nesta missão”, referiu.

Octávio de Carvalho, de 37 anos, sublinha ainda que “é sempre desafiante trabalhar na quadra festiva”, assinalando que as dificuldades do período são superadas em equipa.

“Tudo se resolve, dificuldades sempre houve e sempre hão de haver, mas o bombeiro não trabalha sozinho”, apontou, enquanto espera uma “postura cívica longe dos exageros” na passagem de ano, por parte da população.

De prevenção, entre os mais de 100.000 efetivos da Polícia Nacional mobilizados pelo Ministério do Interior de Angola para a segurança na quadra festiva, está também o agente da Unidade Operativa do Comando Provincial da Polícia de Luanda Maninho Jorge Muhongo.

O agente vai viver a sua primeira passagem de ano distante de casa mas diz que encontrou outra família no seio da corporação.

“Estamos a trabalhar de forma tranquila porque há uma reação positiva da parte dos cidadãos e estamos a trabalhar na normalidade”, disse o agente, de 26 anos.

Maninho Jorge Muhongo acredita numa passagem de ano tranquila: “Porque a população continua disposta a colaborar com a polícia, também estamos aqui para garantir a tranquilidade e ordem pública”.

Apesar do aumento do volume de trabalho nesta época, admite que “tudo corre bem” quando “fazemos aquilo que gostamos”.

Há doze anos a trabalhar como médica interna do Hospital Josina Machel, em Luanda, maior hospital público do país, a médica Catarina Assis da Conceição estará no banco de urgência na passagem de ano e já prevê uma afluência maior de pacientes nesse período.

“Acredito que não vai fugir da rotina dos anos anteriores, apesar da redução do poder de compra dos cidadãos, é mesmo já um costume por ser um dia especial e as pessoas com pouco ou muito fazem daquilo um momento especial”, afirmou.

Os excessos no “consumo de alimentos e na ingestão de bebidas alcoólicas com brigas ou acidentes que daí advêm” marcam as ocorrências neste período.

“Nesta altura do ano há sempre uma diferença marcante, os pacientes são em maior número do que o habitual, daí que vamos já preparados mentalmente para encarar a situação”, observou.

A médica de 55 anos, 32 dos quais como profissional de saúde, disse também que apesar do tempo de serviço, o amor à profissão compensa a ausência da família.

“É claro que bate sempre a vontade de estar com a família, comer uma fatia de bolo, mas não temos aí. Quando você está nessa profissão sabemos que temos momentos de sacrifício que é salvar vidas, então quando fazemos tudo por amor não há nada que abale a nossa mente”, referiu.

Especialista em medicina interna, realça igualmente que “todos os dias são desafiantes” neste setor, pelo que a melhor prenda que pode receber nesta altura do ano é ajudar quem precisa.

“Quando nós conseguimos tirar o doente de uma situação crítica para uma situação melhor, é mais que um ‘kandandu’ [abraço, em língua nacional quimbundo] ao lado da família, isso nos dá um grande prazer de dizer que se estivesse na outra encarnação seria médica de novo”, brincou.

Fonte: Lusa

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