Quando os políticos continuam a pensar que os eleitores são imbecis…

O semanário português Expresso, na sua edição de hoje, 1 de Setembro – por razões particulares não pude enviar a tempo da publicação, às sextas, o meu artigo inicial que ficará para outra oportunidade – traz um artigo intitulado «Fernando Medina quer uma redução drástica no preço dos passes sociais».

Proposta, socialmente excelente, mas só que parece que continua a ser um Portugal no seu melhor, ou como quem diz, evidencia que os políticos portugueses continuam a pensar e a chamar de imbecis os eleitores…

Pensava eu, e creio que muitos mais como eu, que os disparates políticos de muitos líderes políticos portugueses – e por extensão [a escola é a mesma], ou parece, muitos de outras latitudes, incluindo os que estão sedeados nas coordenadas Latitude: 8°50′12″ S e Longitude 13°14′03″ E como, exemplo, o antigo premiê português José Sócrates, nomeadamente, para ter maiorias absolutas, e as consequências que daí advieram, tinha sido um exemplo para que os políticos portugueses, em particular, para os do PS.

Pelos vistos, parece que não; ou, então, continuam a pensar que os eleitores são estúpidos, imbecis e de memória curta muitas vezes têm razão –, e que, nesta altura, já se esqueceram as agruras da austeridade para pagar os desmandos político-económicos dos vários políticos portugueses.

Creio que estarão enganados, mas…

É que esta medida, proposta pelo edil da Câmara Municipal de Lisboa com o apoio dos seus “associados” da região, por certo,, ainda que, socialmente, seja muito boa – excelente, como já escrevi –, politicamente vai ter um impacto económico em todos os contribuintes líquidos que pagam os seus impostos em Portugal. E quando digo todos, estou a referir mesmo a TODOS.

Cerca de 7 a 8 milhões (mais outros 2 ou 3) de contribuintes líquidos, para benefício único de cerca de 3 milhões (população da região de Lisboa), ainda que, na realidade, os utentes destes meios de transporte, não devam ultrapassar cerca de metade, ou seja, não devam exceder – e estou a pensar por excesso – os 1,5 milhões de utilizadores dos transportes colectivos da região de Lisboa

Transportes que têm sistematicamente demonstrado não serem de confiança, quer no que toca à qualidade e capacidade de transporte de passageiros, aos horários, e, mais grave ainda, ao respeito pelos utentes com as suas “eternas” greves – muitas inconsequentes e que só surgem par gáudio de sindicalistas que nem ao transportes pertencem – com claro prejuízo para os utentes que pagam, antecipada e na íntegra, o referidos passes sociais.

Será que os políticos portugueses continuam a pensar que os contribuintes e eleitores são assim tão estúpidos e imbecis? Podem-no pensar e chamar, mas, devagarinho…

O problema é que eles, os políticos e aqui, não serão só os portugueses, mas, pelo menos, na maioria dos países do Mundo enquanto não começarem a ser chamados a responder criminalmente pelas más-gestões, estão se nas tintas para o que possa acontecer, porque quem vier que resolva a TRAMPA que fizerem. Acresce, na opinião dos políticos, que os contribuintes líquidos, vão sempre pagar com um sorriso nos lábios e, depois, votam na mesma neles.

Provavelmente têm razão, mas…

Mas quando os eleitores (globais) souberem que para levar por diante esta proposta do edil de Lisboa terão e pagar cerca de 65 milhões de euros que vão sair das suas contribuições que deveriam ir para outros projectos económicos e socialmente mais importantes, a nível nacional, de certeza que não pensarão assim tão levianamente no acto de depositar o seu voto…

É certo que se aproxima a aprovação de um Orçamento de Estado para 2019, ano de duplas eleições: europeias e legislativas.

Daí que esta proposta surja como uma ideia eleitoralista em que se espera que alguém tenha um mínimo de bom senso e faça ver aos edis da região de Lisboa que a mama também seca, principalmente, quando pode se aproximar um período de seca…

A esperança ´que o Presidente de República Portuguesa envie, caso isto apareça no OE2019 para o Tribunal Constitucional e este órgão judicial – apesar de parte dos juízes serem propostos e votados pelos partidos políticos, são vistos e considerado como totalmente independentes no que deveria de ser exemplo para as coordenadas acima descritas considere inconstitucional que uma pequena parte da população portuguesa (incluindo estrangeiros) seja a única credora líquida das contribuições de todos.

*Investigador do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE-IUL(CEI-IUL) e Pós-Doutorando da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto**

** Todos os textos por mim escritos só me responsabilizam a mim e não às entidades a que estou agregado

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