Rafael Savimbi: “Dar a conhecer Jonas Savimbi é mais um contributo para a História de Angola”

 Um dos filhos de Jonas Savimbi considerou hoje que a decisão da UNITA de dar a conhecer a vida e obra do fundador do partido, morto em combate em 2002, é “mais um contributo” para a História de Angola.

Rafael Massanga Sakaíta Savimbi, um dos 30 filhos do líder histórico da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), falava aos jornalistas em Luanda no final da abertura do ciclo de atividades alusivas às exéquias fúnebres de Jonas Savimbi, previstas para abril ou junho.

No âmbito deste ciclo, a UNITA vai realizar em março duas conferências nacionais sobre Jonas Savimbi.

Rafael Savimbi afirmou-se “grato” à UNITA, partido de que é também secretário-geral adjunto, por avançar com as iniciativas destinadas a resgatar a memória do pai, tendo como pano de fundo o processo em curso para a realização das cerimónias fúnebres de Jonas Savimbi, trasladando o corpo para a terra natal, Lopitanga (Munhango), na província do Bié.

“Quero agradecer à direção da UNITA pelo facto de ter tido a iniciativa de, ao assinalar o 17.º aniversário do passamento físico do dr. Savimbi, de abrir uma série de palestras, a que chamam conferência nacional, para partilhar com os angolanos as várias dimensões de Jonas Savimbi, no quadro político, militar e social. É mais um contributo para a História do país”, disse.

Hoje de manhã, a UNITA, maior partido da oposição em Angola, indicou que pretende que se conte e analise a verdadeira história sobre Jonas Savimbi, para que o cofundador do partido possa ser elevado ao estatuto de herói nacional.

A UNITA decidiu considerar 2019 como “ano da consagração” de Jonas Savimbi, cujos restos mortais serão trasladados para o cemitério de Lopitanga em data a definir, dependendo do resultado das análises ao ADN, iniciadas em 31 de janeiro, após a exumação do corpo que se encontrava sepultado no cemitério municipal do Luena.

Segundo o cronograma, a UNITA vai realizar duas conferências nacionais antes das cerimónias fúnebres, em 13 e em 28 de março, para dar a conhecer a “verdadeira dimensão” de Jonas Malheiro Savimbi, que fundou o partido em 1966.

As conferências estão subordinadas à vida e obra do líder histórico da UNITA, que nasceu em 03 de agosto de 1934, no Munhango, comuna fronteiriça entre as províncias do Bié e Moxico, e que viria a ser morto em combate após uma perseguição das Forças Armadas Angolanas em 22 de fevereiro de 2002, próximo de Lucusse, no Moxico.

O secretário-geral da UNITA, Franco Marcolino Nhany, disse que a intenção é mostrar Jonas Savimbi como “estratega, político, diplomata, humanista, homem de letras e de cultura, patriota, promotor da valorização da mulher e da juventude e ainda como pai e homem de família”.

“Os adversários continuam a denegrir e a ofuscar [a imagem de Savimbi] para manipular a história. Mas a postura e o legado está a ser compreendido por todos os angolanos e é já uma fonte de inspiração, pois marcou a história da luta pela independência e pela democracia”, afirmou Franco Nhany.

A exumação dos restos mortais de Jonas Savimbi insere-se no quadro da “reconciliação nacional” promovida pelo atual Presidente da República, João Lourenço – Governo e UNITA mantiveram uma guerra civil de 27 anos (1975/2002) -, que já permitiu realizar idêntico processo, concluído com uma homenagem a um alto militar do exército do “Galo Negro”, o general Arlindo Chenda Pena “Ben Ben”, em setembro de 2018.

“Ben Ben” foi comandante do antigo exército da UNITA, as Forças Armadas de Libertação de Angola (FALA), e, após a breve reconciliação concretizada em 1998, foi designado chefe adjunto das Forças Armadas Angolanas (FAA), quando, no mesmo ano, viria a morrer devido a doença.

Os restos mortais de “Ben Ben” estavam sepultados num cemitério em Zandfontein, próximo de Pretória, na África do Sul.

Fonte: Lusa

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