RDC proíbe entrada de cerveja e ovos de Angola 

Depois das notícias sobre a retirada de instrutores militares angolanos da RDC, alegadamente em desacordo com o Presidente Joseph Kabila, e já após as críticas do ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoty à situação política na RDC, mais tarde adensadas pela oposição do genro do Presidente José Eduardo dos Santos, Sindika Dokolo, ao líder congolês, chega agora um novo sinal de que as relações bilaterais já conheceram melhores dias. 

Segundo o ministro da Economia da RDC, Joseph Kapika, citado pela edição africana do jornal belga La Libre Belgique, a RDC vai banir a entrada no país de produtos que fragilizem a economia nacional. 

A lista de proibições, avança Kapika, inclui, para além de bens de primeira necessidade da Zâmbia, cerveja e ovos provenientes de Angola, alegadamente vendidos na RDC a preços mais baixos do que a produção local. 

"Vamos interditar a entrada no nosso país de tudo o que mata a nossa economia", anunciou o ministro da Economia da RDC, lamentando o facto de a cerveja congolesa Bralima, "enfrentar a concorrência da cerveja oriunda de Angola, comercializada a um preço mais barato".

O responsável alertou para o impacto destas interferências no mercado congolês, adiantando que algumas quintas e fábricas da cidade de Lubumbashi se viram forçadas a encerrar a produção. 

"Quando um ovo é vendido a um preço que supera toda a concorrência, o que querem que o consumidor faça?", questiona o ministro, reiterando que a produção congolesa deve ser salvaguardada. 

A posição do governante parece cimentar o afastamento entre Luanda e Kinshasa, evidenciado, no passado mês de Maio, por declarações do ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoty. 

"Creio que é necessário que o Governo [da RDC] diga exactamente o que se passa. Se o Governo não o diz, creio que é importante que o saibamos, porque os refugiados relatam coisas que devem ser verificadas no interior da RDC", disse o chefe da Diplomacia, defendendo uma investigação internacional aos acontecimentos na vizinha Kinshasa. 

A proposta de Chikoty, condenando a "violência recorrente na RDC", foi recebida como uma ingerência pelo conselheiro diplomático do Presidente Joseph Kabila. 

Segundo Barnabe Kikaya, embora a "cólera" de Angola se compreenda tendo em conta o fluxo de refugiados para o país e a instabilidade gerada na fronteira com a RDC, Luanda "não pode exercer pressões sobre a política interna " de Kinshasa. 

Fonte: Novo Jornal

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