Reformas e apoio do FMI não salvam da recessão em 2021

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O departamento de estudos económicos do Standard Bank considera que as reformas feitas em Angola e o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI) não vão chegar para impedir que a economia continue em recessão este ano.

“A nossa perspectiva sobre a evolução de Angola melhorou principalmente devido a uma melhor estimativa de evolução do sector externo, mas Angola não deverá escapar a uma recessão pelo sexto ano consecutivo”, dizem os analistas, apontando uma previsão de quebra de 0,45% no Produto Interno Bruto, este ano.

De acordo com o relatório que analisa a evolução em várias economias africanas, o Standard Bank compara a estimativa de quebra de 0,45% com os 0% de crescimento previstos pelo Governo para este ano e escreve que a contracção de 5,8% no terceiro trimestre de 2020 deverá redundar numa quebra de 5% no total do ano 2020.

“A esperada melhoria nas exportações, num contexto de recuperação do mercado petrolífero, vai provavelmente ser insuficiente para compensar o impacto negativo da despesa em Angola, num ano em que a pandemia ainda está a causar um aumento do desemprego”, acrescentam os analistas.

A elevada inflação de dois dígitos desde Julho de 2015, a elevada taxa de desemprego em 34% no terceiro trimestre do ano passado e o agravamento da pobreza, que afretava 40,6% da população em 2019, “também vão contribuir para o aumento da despesa geral no País”.

Para além disso, acrescentam, “a despesa pública em 2021 vai continuar limitada pela gestão fiscal prudente para conseguir completar o programa de apoio financeiro do FMI, aprovado em Dezembro de 2018”, e que termina no fim deste ano.

O cenário-base para a evolução da economia de Angola aponta para uma recuperação ligeira em 2022, que será novamente anulada em 2023 “se o investimento directo estrangeiro não aumentar de forma significativa”, alertam os analistas, salientando que “as perspectivas de médio prazo para o País continuam fracas devido à maturação dos campos de petróleo, o declínio na produção e o progresso lento na diversificação económica, agora agravado pelo impacto da pandemia”.

O elevado peso da dívida, acima de 100%, “vai provavelmente impedir qualquer resposta orçamental para estimular o crescimento”, apontam, concluindo que o apoio do FMI garantiu “um progresso material nas reformas estruturais, o que permitiu uma avaliação positiva e o desembolso de mais 1,5 mil milhões de dólares [1,2 mil milhões de euros] até ao fim do ano”.

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