Reino Unido desaconselha deslocações na fronteira entre Angola e RDC

Num alerta emitido pelo Gabinete de Estrangeiros e da Commonwealth (FCO), dirigido aos cidadãos, Londres indica que devem ser evitadas deslocações à província de Cabinda, mas não à cidade homónima e capital provincial.

Na mensagem, o Reino Unido acrescenta que se deve evitar também que deslocações para fora de um perímetro não superior a um quilómetro da linha de fronteira entre os dois países, sobretudo na delimitação da fronteira da província da Lunda Norte, e a capital, Dundo, com a República Democrática do Congo (RDC).,

A fronteira entre os dois países estende-se ao longo de 2.700 quilómetros.

Nesse sentido, aconselhou as pessoas a atravessarem a fronteira apenas nos postos fronteiriços oficiais, utilizando as principais vias de acesso rodoviário.

“Deve-se evitar ajuntamentos políticos e manifestações, devem estar vigilantes e respeitar os conselhos e as instruções dadas pelas autoridades de segurança locais”, lê-se ainda na mensagem.

O “alerta” do Governo britânico surge numa altura em que está a decorrer, desde 25 de Setembro e em sete províncias angolanas, a “Operação Transparência”, destinada, oficialmente, a pôr cobro a “actos sistemáticos de violação das fronteiras do país e da entrada a exploração ilegal de diamantes “.

Hoje mesmo, a Polícia Nacional anunciou que, desde o início da operação, já 261. 713 cidadãos estrangeiros em condições irregular, maioritariamente cidadãos da RDC, “abandonaram voluntariamente” Angola, situação que tem levantado preocupações da comunidade internacional, sobretudo das Nações Unidas.

Nesta terça-feira, a ONU expressou preocupação sobre a alegada saída forçada de Angola de, então, mais de 200.000 cidadãos da vizinha RDC nas duas últimas semanas, admitindo que a situação pode gerar uma crise humanitária, situação negada já pelas autoridades policiais angolanas .

A agência da ONU para os refugiados salientou que não está claramente apurado de quem partiu a ordem para que os congoleses, trabalhadores na indústria mineira, abandonassem as províncias abrangidas pela “Operação Transparência”, Lunda Norte, Lunda Sul, Malanje, Moxico, Bié , Uíge e Zaire.

A ONU diz que as “expulsões em massa” são “contrárias às obrigações” da Carta Africana e exortou os Governos de Angola e da RDC a trabalharem juntos para garantirem um “movimento populacional” seguro.

Elementos das Nações Unidas recolheram alguns relatos de violência em Angola, enquanto agentes de segurança reforçavam a ordem que estabelecia o prazo de 15 de Outubro para a saída dos congoleses.

Pouco depois, em reacção, o Comandante -Geral da Polícia Nacional, Paulo de Almeida, a partir de Argel, onde se encontra a participar numa reunião oficial, negou as informações sobre alegadas mortes de cidadãos da RDC , considerando-as “especulações” que “têm como objectivo travar a operação e acção das autoridades” de Angola .

“Não devemos estar preocupados com essas informações, que têm sempre uma visão de impedir e dificultar aquilo que nós queremos para o bem do país”, disse Paulo de Almeida, garantindo que a operação “vai continuar” e que as autoridades mantêm-se “firmes e disciplinadas”.

A 15 deste mês, o Governo da RDC revelou que está a “investigar” o que considera ser “uma expulsão maciça”, entre “alegações sérias de acusações de violência”.

“As alegações são muito graves. O Governo reagirá oficialmente nos próximos dias”, declarou à agência France Press o porta-voz executivo congolês, Lambert Mend, em reacção à “Operação Transparência”

Há relatos de expulsões violentas, até mesmo mortes de congoleses que Angola nega, falando de retornos “voluntários”.

Hoje, no alerta das autoridades britânicas, Londres adverte também para o “alto nível de criminalidade em Luanda”, aconselhando que se evitem saídas durante a noite na capital angolana.

Por outro lado, lembram que as autoridades sanitárias britânicas classificaram Angola como país de risco para a transmissão do vírus Zika, aconselhando, neste sentido, que se contactos os serviços de saúde do Reino Unido.

Segundo o documento, a maioria das deslocações a Angola “não trazem problemas” e que, apesar de não se registar uma história recente de terrorismo no país, ” não se pode pôr de parte essa possibilidade”.

“Se estiver no estrangeiro e necessitar de ajuda do Governo britânico, contacte a embaixada ou consulado do Reino Unido mais próximo”, termina o comunicado.

Fonte: Lusa

Deixe o seu comentário