Revisão da BMI para o crescimento de Angola está “marcadamente acima” das outras

A consultora BMI Research considerou hoje que o crescimento económico de Angola deverá ultrapassar no próximo ano os 4,1%, assumindo estar “marcadamente acima” do consenso dos analistas, que estimam uma expansão da economia de 2%.

“A nossa previsão para o crescimento de Angola em 2018 está marcadamente acima do consenso dos analistas, a 4,1%, comparado com 2%, principalmente alicerçado pelo aumento de curto prazo na produção de petróleo no poço Kaombo, da Total, que quando estiver operacional vai aumentar a produção em 230 mil barris por dia”, escrevem os analistas.

Numa breve análise sobre as previsões para alguns países africanos, a que a Lusa teve acesso, os analistas escrevem que este aumento da produção “representa uma subida de 7% e levará a um maior volume de exportações” para Angola, o maior produtor de petróleo da África subsaariana, a par da Nigéria.

O aumento das receitas por esta via, vincam, “vai melhorar o acesso a divisas estrangeiras, estabilizando a taxa de câmbio do mercado paralelo e aumentando o poder de compra dos consumidores”.

Os analistas da BMI alertam, no entanto, que estes desenvolvimentos “serão transitórios, e a produção de petróleo vai retomar a tendência de declínio em 2019, o que significa que estas melhorias serão de curta duração”.

No final de agosto, esta consultora do grupo Fitch já tinha escrito que, “apesar dos ventos favoráveis oferecidos pelo setor petrolífero, a alta inflação, um fraco ambiente empresarial e a incerteza sobre o futuro do regime da taxa de câmbio pelo banco central vão garantir que o investimento continue abaixo do potencial e, em última análise, qualquer recuperação económica será curta”.

É por isso que, a seguir a um crescimento de 4,1% no próximo ano, as estimativas apontam para um abrandamento para os 2,4% em 2019 e 2020, o que é insuficiente para um país em desenvolvimento, como é o caso de Angola, o maior produtor de petróleo africano, a par da Nigéria.

Entre as vantagens do país, a BMI Research apontava então os “abundantes recursos naturais, como diamantes e hidrocarbonetos”, e as estreitas ligações com a China, apresentadas como “uma fonte confiável de empréstimos públicos a taxas relativamente baratas”.

Em sentido inverso, os analistas destacam a “enorme dependência estrutural do petróleo”, que vale mais de 90% do total das exportações e cerca de 70% da receita fiscal, a par da “elevada corrupção e um inóspito ambiente empresarial, que é um obstáculo aos investidores estrangeiros e nacionais”.

A nível financeiro, a análise aponta como ameaças os custos de servir a dívida externa, com taxas de juro a rondar os 10%, o que leva os analistas a preverem que “Angola se arrisca a entrar em incumprimento financeiro [‘default’, no original em inglês] se os empréstimos continuarem a este nível ou se a instabilidade política prejudicar as receitas fiscais”.

Fonte: Lusa