Rui Nabeiro: “Angola precisa de empresários portugueses que pensem na comunidade”

O comendador Rui Nabeiro, fundador de um dos maiores grupos empresariais portugueses, do setor dos cafés, com negócios em Angola, defende que este país precisa de empresários a pensar, não só em si próprios, mas também na comunidade.

“O futuro do nosso país precisa desse suporte que é Angola, mas Angola também precisa do suporte que é Portugal, precisa do suporte humano, de empresários que vão para lá, não a pensar só em si próprios, mas a pensarem na comunidade, que foi o que pensei sempre, e aconselho a todos os colegas”, afirmou o fundador do Grupo Nabeiro.

Em entrevista à Lusa, a propósito da visita do Presidente da República português a Angola, que começa a 5 de Março, Rui Nabeiro, que compra café em Angola desde antes da independência do país, em 1975, alerta que “o mundo de hoje, o da sustentabilidade, não é para falar só por falar”. A sustentabilidade acontece “quando pensamos em nós e também nas outras pessoas”, sublinhou.

Para o empresário e fundador de um grupo que está n a liderança na comercialização e tratamento de café em Portugal e com uma empresa no país africano, e já com uma empresa em Angola, a AngoNabeiro, é com base no conceito de sustentabilidade que se devem desenvolver as relações económicas entre os dois países, para que ambos tenham ganhos no mundo global.

“Penso que Angola será um exemplo amanhã, se os empresários portugueses e os políticos e empresários do lado de Angola puderem permitir que assim aconteça”, considerou o comendador.

“Angola é um país grande e Portugal é pequeno, mas Portugal tem capital humano e Angola precisa de reforçar o seu material humano, embora também tenha pessoas com muito valor”,reforçou o empresário.

Portanto, para Rui Nabeiro, não há dúvidas que um trabalho em conjunto entre Angola e Portugal “será um trabalho positivo, bem positivo, tanto na parte política, como na comercial e empresarial. Porque com a ligação entre os dois povos podemos fazer na Europa muita coisa”.

Angola já foi o quarto maior produtor mundial de café, com 200 mil toneladas anuais, antes de 1975. Essa produção está hoje reduzida a menos de 5%, fruto do abandono do cultivo durante a guerra civil angolana que se seguiu à independência.

As empresas do sector estimam que o país produz actualmente cerca de 3.000 toneladas de café – embora números oficiais apontem para 15.000 – e só a Angonabeiro comprou em 2014, a cerca de 20.000 produtores de várias províncias angolanas, 800 toneladas, o maior registo até então. No ano anterior conseguiu adquirir 600 toneladas e em 2012 apenas 500.

Fonte: Lusa


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