Secretas portuguesas alertam: Extrema-direita está de regresso em força

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Os movimentos conotados com a extrema-direita voltaram em força em 2017, de acordo com o balanço feito pelos serviços de informações para o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), foi ontem aprovado pelo Conselho Superior de Segurança Interna (CSSI). Esta constatação surge poucos dias depois dos incidentes que envolveram dois grupos de motards, um deles liderado pelo ex-líder skinhead Mário Machado.

Na avaliação de ameaça à segurança interna, as secretas salientam que “a extrema-direita portuguesa continuou a aproximar-se das principais tendências europeias, na luta pela “reconquista da Europa pelos europeus ” e que ” para além de intensificarem os contactos os contactos internacionais, estes extremistas desenvolveram um esforço de convergência dos seus diferentes sectores (identitários, nacional-socialistas, skinheads), no sentido de promoverem, no plano político e metapolítico, os seus objectivos”.

Foi “caracterizada e avaliada a ameaça representada pelas novas organizações e movimentos de extrema-direita em Portugal, e mantido o acompanhamento das actividades das demais organizações”. Uma destas novidades é o grupo dos motards “Los Bandidos”, que Mário Machado trouxe para o nosso país, históricos rivais dos ” Hell Angels”, e que foram os protagonistas do incidente no restaurante de Loures, com estes últimos a atacarem os primeiros. Monitorizada esteve também a “Nova Ordem Social”, um movimento político também criado pelos ex-dirigentes dos cabeças rapadas de Mário Machado.

O espiões dos Serviços de Informações de Segurança (SIS), que acompanharam as respectivas “actividades”, revelam que se “assistiu a um reforço da propaganda online e à multiplicação de iniciativas com alguma visibilidade como : concertos, conferências, apresentações de livros e protestos simbólicos, actividades participadas por militantes se diferentes quadrantes”. No entanto, sublinham, “violência permaneceu como um traço marcante da militância de extrema-direita, havendo registo de alguns incidentes, nomeadamente agressões a militantes antifascistas”. Além disso, notam, “no seio do movimento skinhead neonazi, alguns militantes continuarem envolvidos em actividades criminosas extra militância”.

A última grande operação contra este género de organizações foi em novembro de 2016, com a Unidade Nacional de Contraterrorismo da PJ deter 17 skinheads neonazis que tinham agredido pessoas motivados por motivos racistas, ideológicos e xenofóbicos. Nenhum ficou em prisão preventiva. Mais de metade dos suspeitos eram novos recrutas ( hangarounds e prospects) da facção mais perigosa da organização, os Portugal Hammerskins (PHS).

Pelo menos desde 2014 que as autoridades portuguesas têm estado atentas às movimentações destes grupos extremistas, tendo em conta a experiência que têm observado noutros países europeus, com o fenómeno migratório e a crise dos refugiados a servirem de pretexto à radicalização de discursos. Mas só em 2017 as secretas notaram um maior impulso destas organizações em Portugal.

Fonte: Diário de Notícias.

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