Sector não petrolífero vai liderar crescimento económico

Angola prevê até 2022 um crescimento médio anual em termos reais de 3%, indicam as projeções do Plano de Desenvolvimento Nacional 2018-2022, com o setor não petrolífero (5,1%) a liderar as receitas.

Angola prevê até 2022 um crescimento médio anual em termos reais de 3%, indicam as projeções do Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2018-2022, com o setor não petrolífero (5,1%) a liderar as receitas face às perspetivas negativas do petrolífero (-1,8%).

publicidade

O PDN foi esta terça-feira apresentado, em Luanda, pelo ministro da Economia e Planeamento, Pedro Luís da Fonseca, numa cerimónia presidida pelo ministro de Estado e do Desenvolvimento Económico e Social, Manuel Nunes Júnior.

No discurso de abertura do ato, Manuel Nunes Júnior disse que está previsto que, até 2022, o setor petrolífero venha a conhecer um crescimento médio anual negativo a rondar 1,8%.

“Isto significa que o setor não petrolífero terá de ter um crescimento suficientemente forte para contrabalançar este sinal negativo do setor petrolífero”, sublinhou.

publicidade

Faça já a sua assinatura: formulário de assinatura
Contactos editoriais: jornalkandandu@gmail.com

Publicidade: vivenviaspress@gmail.com

Manuel Nunes Júnior destacou que, no domínio não petrolífero, os principais motores do crescimento serão os setores da agricultura, com uma taxa média de crescimento de 8,9%, pescas (4,8%), indústria transformadora (5,9%), serviços, incluindo o turismo (5,9%) e a construção (3,8%).

Para o alcance destas metas, sublinhou Manuel Nunes Júnior, o Governo será “rigoroso e muito focado” na implementação do Programa de Apoio à Produção Nacional, da Promoção das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI), um dos principais programas do PDN 2018-2022.

“Não queremos que o PRODESI seja mais um programa como outros que tiveram lugar no passado. Queremos que o PRODESI marque realmente um ponto de inflexão, no que respeita ao aumento da produção nacional”, disse.

A autossuficiência alimentar e a redução das importações de alimentos são algumas das estratégias que conduzirão à diminuição da pressão sobre as divisas, aumentando a poupança para investimento mais intenso em áreas reservadas ao desenvolvimento estratégico do país, apontou o governante angolano.

“Todo este trabalho será desenvolvido fundamentalmente pelo setor privado, isto é, pelos nossos empresários”, salientou Manuel Nunes Júnior, lembrando que o papel do Estado será apenas o de “agente coordenador e regulador” do processo, criando um ambiente de negócios favorável aos investimentos privados nacional ou estrangeiro.

O governante angolano destacou também os resultados visíveis do Programa de Estabilização Macroeconómica, iniciado em janeiro deste ano, para fazer face aos “graves desequilíbrios internos e externos derivados da queda do preço do petróleo no mercado internacional que se verificou a partir de meados de 2014”, nomeadamente a diminuição da taxa de inflação e a diferença entre a taxa de câmbio oficial e do mercado paralelo.

“As taxas de inflação têm vindo a diminuir e a diferença entre a taxa de câmbio oficial e a prevalecente no mercado paralelo também tem conhecido uma queda já assinalável”, disse o ministro de Estado.

Segundo Manuel Nunes Júnior, em janeiro deste ano, o ‘gap’ entre a taxa de câmbio oficial e a prevalecente no mercado paralelo era de 150%. Presentemente, está em torno dos 20%, sendo objetivo do Governo atingir a convergência dos dois mercados nos próximos meses.

“As vantagens para a economia desta convergência são enormes. Aumenta a previsibilidade do mercado, pois os agentes económicos que precisam de divisas sabem que podem obtê-las quando delas precisarem, e deixa de haver incentivo para a prática da arbitragem que deriva dos ganhos obtidos por aqueles que têm acesso ao mercado oficial de divisas e que as vendem no mercado paralelo”, disse.

Relativamente à inflação, o governante angolano frisou que está a baixar, realçando que as projeções para este ano são de uma taxa acumulada inferior a 20%, “muito abaixo dos 28%” previstos no Orçamento Geral de Estado (OGE) 2018.

Com a aprovação, o Plano de Desenvolvimento Nacional de Angola 2018-2022 passa a ser o principal documento de planeamento e de orientação de toda a ação do executivo angolano e a base para a elaboração dos orçamentos-programa.

“A partir de agora, os orçamentos do Estado passarão a estar baseados nos 83 programas previstos para o PDN”, salientou o ministro de Estado e do Desenvolvimento Económico e Social, realçando que o OGE 2019, a ser submetido quinta-feira à Assembleia Nacional, foi já elaborado na base de um orçamento programa.

Manuel Nunes Júnior avançou que apenas serão orçamentados os projetos ou atividades inseridas nos programas do PDN 2018-2022, o que permite assegurar uma governação “mais focada, mais disciplinada, mais eficiente no que se refere à utilização dos recursos e mais eficaz no que respeita ao alcance dos resultados pretendidos”.

Fonte: Lusa

Deixe o seu comentário