Sociedade civil a reboque do poder político?!

É preocupante ver como tem funcionado e ainda funcionam muitos sectores da sociedade civil. Ressaltam logo as evidências de imobilismo, o deixa andar e só tomar iniciativas para corresponder a solicitações do poder político. Digo isto a propósito da circunstanciada notícia sobre uma iniciativa da Chá de Caxinde Editores e Livreiros.

O NOVO JORNAL de 4 de Janeiro de 2018 revela que no dia 7 haverá na sede da Associação Chá de Caxinde uma reunião para discutir o caso da Associação dos Editores e Livreiros de Angola , AELA, que está inoperante desde há alguns nos e aguardando a eleição dos seus corpos sociais. Diz Jacques dos Santos que: ” pensamos que seja possível definir acções imediatas, tais como a revisão dos seus estatutos, eleição dos órgãos sociais e consequente transformação da AELA num órgão interventivo e representativo, capaz de, a curto prazo, contribuir positivamente para a inversão da actual situação (…).

Aponta como prioritário: “identificar as questões organizativas que envolvem os problemas existentes, mormente o livro e as demais publicações, e ajustá-los às medidas já determinadas pelo executivo, propondo outras que se justifiquem necessárias e complementares”. (Nota: o sublinhado em negrito é meu).

A notícia especifica que, em Setembro do ano passado, o Presidente João Lourenço criou uma comissão multissectorial para o acompanhamento e implementação da Política Nacional do Livro e da Leitura.

Portanto, conclui-se facilmente que os livreiros e editores angolanos vão discutir os seus problemas porque o poder político tomou uma iniciativa que os abrange e os obriga a agir. Nestes tempos todos de inactividade do órgão representativo dos livreiros e editores, nenhum deles tomou iniciativas para discutir os problemas do sector e fazerem propostas ao Executivo sobre uma política do livro em Angola.

Este paradigmático caso é inquietante porque é um sintoma de que sectores da sociedade civil não se preocupam em elencar os seus problemas, estudar soluções para eles e para problemas nacionais a que estejam ligados pela sua actividade, e procurar resolvê-los em parceria com o Estado. Fazem o contrário: esperam que o Executivo dê sinais.

Em suma, vão a reboque do poder político. Ora esta prática, que foi interiorizada durante quarenta e dois anos, tem de ser abandonada rapidamente, sob pena de a sociedade civil nunca atingir a necessária expressão na vida nacional.

Porquê?

Porque, com esta conduta, a sociedade civil terá uma diminuta capacidade para inventariar problemas e soluções, para ser parceira da governação em múltiplos aspectos e, por último, para ser capaz de escrutinar a própria governação local e nacional. Na construção da democracia é fundamental uma sociedade civil forte.

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