Sonangol põe à venda convento do “Príncipe Perfeito” em Setúbal

Foi destruído pelas tropas de Napoleão nos idos de 1808 e incendiado a 5 de Outubro de 1910, serviu de morada a Oliveira Martins para escrever o livro “O Príncipe Perfeito”, uma biografia do rei D. João II (editado pela Guimarães Editora em 1954), foi quartel e por fim, de 1998 a 2007, estabelecimento prisional.

O Convento de Brancanes, em Setúbal, está à venda e segundo especialistas do sector imobiliário deverá valer, no mínimo, 4,5 milhões de euros. Este valor é semelhante ao que está a ser pedido pelo Convento de S. Filipe, também localizado em Setúbal, mas cujo edifício se encontra em ruínas.

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Uma outra novidade desde processo é a identidade do vendedor. A empresa que colocou o edifício à venda é a Diraniproject III, subsidiária de uma SGPS com o mesmo nome que, soube-se agora, após a publicação de um anúncio na imprensa, é detida pela Sonangol e tem ainda como presidente do conselho de administração Carlos Saturnino.

O gestor foi afastado da liderança da petrolífera a 8 de Maio deste ano pelo chefe de Estado angolano, João Lourenço, na sequência da crise de combustíveis registada no país. A Sonangol tem pressa em vender o edifício e estabelece o dia 15 de Setembro como data-limite para a recepção de propostas.

O convento, que tem uma área potencial de construção de 20 mil metros quadrados, já havia sido colocado no mercado no início deste ano, tendo na altura surgido três propostas de compra, embora nenhuma delas fosse vinculativa . O processo acabou por ficar parado e agora optou-se por tornar pública esta alienação, dado que o Estado angolano está apostado em que este processo seja transparente.

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Venda polémica

A Diraniproject SGPS tem um capital próprio negativo de 19 milhões de euros e no exercício de 2018 registou um resultado negativo de 336 mil euros. O objectivo da Sonangol, comunicado aos revisores de contas, é o de proceder à liquidação das empresas participadas para posterior liquidação da SGPS.

Entre as participadas contam-se a Puaça que colocou também à venda um edifício localizado na Avenida da República, nos números 5 a 7, o qual havia sido adquirido em 2009 por 38,5 milhões de euros. Anteriormente, o prédio pertencia à Augusta Sociedade de Construções.

O Convento de Brancanes foi adquirido em 2007 pela Diraniproject III por 3,4 milhões de euros ao Ministério da Justiça. À época, segundo noticiou o Público, a empresa tinha como administrador único António Lamego, o qual tinha sido sócio do então titular daquela pasta governativa, Alberto Costa.

Face às suspeitas, o Ministério da Justiça de Portugal emitiu à data um comunicado no qual afirmava ser “alheio”à venda, sublinhando que a mesma “decorreu entre a Direcção-geral do Património e a Estamo, entidades tuteladas pelo Ministério das Finanças”, e que o imóvel não interessava, visto “não se adequar à função prisional a que estava destinado”.

Estas alienações que a Sonangol tem em curso enquadram-se na redefinição estratégica da empresa, concentrando-se na sua actividade principal, o petróleo.

Fonte: Jornal Negócios.

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