“Temos de fazer um caminho inverso, de mais humanidade real e menos virtual”

“Extractos de uma reflexão sobre o amor ao próximo”, livro que é lançado hoje na Casa de Angola em Lisboa , temos o autor numa dimensão mais espiritual e humana, é Benja Satula numa linguagem mais pessoal e afectiva com os leitores?
Claramente sim. As vezes pretendemo-nos ao profissional e ficamos com a ideia de que outras vertentes da vida em comunidade ficam excluídas do nosso foco, então estas reflexões são para mim um recentrar a minha acção numa perspectiva da alteridade, abrindo-me, quase, na intimidade com público, dando a conhecer de que “matéria ” sou e somos feitos”.

“O amor ao próximo passa, inevitavelmente, por um processo de interiorização e superação do individualismo e de respeito pela pessoa do outro que é como nós”, é uma mensagem que deixa para uma sociedade cada vez mais materialista e focada no “Eu”?
Literalmente sim, no mundo em que vivemos is homens e as mulheres, tendem a fecharem-se em si mesmos, esquecendo ou as vezes não dando conta que há outro ao meu lado, que talvez só precisa da minha saudação, do meu sorisso, que são grátis e não empobrecem ninguém ao partilharmos, entretanto não conseguimos dar e quando assim acontece e tem acontecido, os estágios posteriores são mais perigosos para a vida em sociedade, pois traduzem-se no egoísmo – as vezes legitimo e outras ilegítimo -, num acumular até ao supérfluo e de se acreditar que o supérfluo é tão essencial que não posso sequer partilhar porque dele “depende” a minha existência. O que faço é um apelo, a começar por mim próprio para que nos superemos a cada dia, pondo um pouco do nosso tempo ao serviço gratuito do outro e as sociedades e as cidades, bairros e vilas das mais modernas as mais arcaicas estão cheias de oportunidades para pormos em prática este exercício.

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Como deve ser feito este olhar para o Outro, para o Próximo? É certamente um grande desafio que deixa para um mundo onde o Outro está cada vez mais distante ?
Na prática as sociedades tornaram difíceis coisas simples e simplificaram coisas difíceis, repara que hoje os utentes das redes sociais isolam-se da família e dos amigos reais e presentes para conversarem horas a fio com virtuais amigos, espalham-se flores e fotos, partilham noticiais e conteúdos difamatórias ou cuja veracidade não se comprova e somos incapazes de dar um abraço, de saudarmos ou de darmos o que resta na nossa mesa, bolso ou guarda-roupa a quem efectivamente precisa. Temos de fazer um caminho inverso de mais humanidade real e menos virtual.

E esta reflexão sobre o amor ao próximo como deve ser feita ? Ela deve ser um exercício diário e permanente?
Entendo que a forma mais elevada de o fazer e doando o nosso tempo e deve interpelar-nos a cada dia, entretanto dependendo da agenda e da ocupação de cada um, pode-se reservar uma hora por dia, um dia por semana, uma semana por mês ou alguns dias ao ano para este exercício e partilhar isto em família, com amigos e depois e a medida do possível com a sociedade. O que efectivamente não pode ser é vivermos 365 dias ano sem que nos envolvamos em acções que expressem o nosso amor ao outro que é como nós.

A sua educação, vivência e experiência religiosa (é católico) influenciaram-no a fazer este livro ? São testemunhos que precisavam de ser partilhados com os leitores?
As minhas experiências como Cristão, primeiro, como Cristão católico, segundo, como escuteiro , a experiência universitária tiveram grande influência e por isso venho partilhar com os leitores, tendo manter-me nesta linha e interpelando na intimidade outros para que o façam, caso ainda não ou que mantenham, caso já o pratiquem.

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Do ponto de vista literário, este é um registo novo para os leitores, neste livro é o Benja Satula, o cidadão que fala de forma igual e humana para os leitores. Muito diferente do jurista e professor universitário Benja Satula que escreve sobre temas técnicos e jurídicos e também dá “lições”. Aqui é a dimensão humana do sujeito . Concorda ?
Concordo plenamente, saí da zona de conforto, entretanto sinto que é um caminho para regressar à uma essencial da qual tentei fugir ao longo dos tempos. As vezes quando pensamos que estamos a sair da zona de conforto, talvez estejamos a fazer o caminho do filho pródigo, regressar à essencial da qual nunca deveriamos ter saído. Portanto tento saído, pode vir a significar um “regresso ao Pai” (risos)!

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