TPA enfrenta dificuldades financeiras, técnicas, operacionais e de gestão de recursos humanos

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Num comunicado que serviu para apresentar as perspectivas da empresa para os próximos tempos, a Televisão Pública de Angola (TPA), admite que :

“Sob o ponto de vista técnico, há vários anos que não se registam investimentos significativos para adaptar a nossa estação aos avanços tecnológicos que se registam em todo o mundo”, e por isso, ” a planta técnica e de difusão da TPA apresenta sérias debilidades e disfunções, com graves problemas de funcionamento, ausência de peças de reposição e sobressalentes e ausência de modernização tecnológica”.

Ao nível da força de trabalho, o comunicado revela vários problemas ao nível da gestão de recursos humanos:

“A TPA apresenta um quadro de excesso de trabalhadores, com elevadas taxas de absentismo, com problemas sociais e deficientes condições de trabalho, alguns desmotivados e desmobilizados, outros desaproveitados ou mal colocados, sem planos de formação e superação profissional estabelecidos”.

Do ponto de vista financeiro, a administração da TPA admite que :

“Vive igualmente um quadro graves dificuldades financeiras, muitas vezes fruto de projectos ambiciosos e irrealistas que levaram a incumprimento reiterado dos seus compromissos financeiros. Tal situação leva-nos inclusive a estar impossibilitados de transmissão de alguns eventos, nomeadamente desportivos, que implicam avultados investimentos.”

A empresa entende que “numa primeira fase, é fundamental e necessário estabelecer a organização e recuperar os funcionários para uma nova visão da empresa. Desde logo moralizar e humanizar a empresa, recuperar a motivação, a vontade com o orgulho dos trabalhadores, ao mesmo tempo que se reduz a força de trabalho e se resolvem alguns problemas sociais mais significativos.”

Fazem também parte da estratégia da nova administração da TPA, procurar “negociar com os credores e encontrar junto do accionista, o Estado, as condições materiais e financeiras para os investimentos necessários.”

Do ponto de vista editorial, a empresa considera que a retomada da gestão dos canais 2 e Internacional ” traz-nos desafios acrescidos numa altura em que a crise financeira e organizativa não está ainda superada.”

A TPA promete ainda uma ” informação objectiva, verdadeira e transparente em que o cidadão é parte integrante da comunicação.”

Leia na íntegra o comunicado da Televisão Pública de Angola.

” Por ocasião do início de mais um ano, a Administração da TPA saúda os telespectadores, fazendo votos para que 2018 seja pleno de êxitos e realizações para todos.

Pensamos também ser boa ocasião para darmos a conhecer as perspectivas da nossa estação pública de televisão para os próximos tempos.
Fazer um breve balanço, é a base para podermos entender o futuro.
Sob o ponto de vista técnico, há vários anos que não se registam investimentos significativos para adaptar a nossa estação aos avanços tecnológicos que se registam em todo o mundo. Por isso, a planta técnica e de difusão da TPA apresenta sérias debilidades e disfunções, com graves problemas de funcionamento, ausência de peças de reposição e sobressalentes e ausência de modernização tecnológica.

A nível de força de trabalho, como aliás em outras empresas públicas, a TPA apresenta um quadro de excesso de trabalhadores, com elevadas taxas de absentismo, com problemas sociais e deficientes condições de trabalho, alguns desmotivados e desmobilizados, outros desaproveitados ou mal colocados, sem planos de formação e superação profissional estabelecidos.
A nível organizativo, a TPA ainda apresenta situações de deficiente estrutura orgânica e de desequilíbrios administrativos, hierárquicos e funcionais.
De igual modo, vive igualmente um quadro de enormes dificuldades financeiras, muitas vezes fruto de projectos ambiciosos e irrealistas, que levaram a incumprimento reiterado dos seus compromissos financeiros. Tal situação leva-nos inclusive a estar impossibilitados de transmissão de alguns eventos, nomeadamente desportivos, que implicam avultados investimentos.
É nesta base, com esta TPA real, que a Administração se dispõe a cumprir os objectivos para a qual foi nomeada.

Naturalmente, numa primeira fase, é fundamental e necessário estabelecer a organização e recuperar os funcionários para uma nova visão da empresa.
Desde logo moralizar e humanizar a empresa, recuperar a motivação, a vontade e o orgulho dos trabalhadores, ao mesmo tempo que se reduz a força de trabalho e se resolvem alguns problemas sociais mais significativos.
Proceder à reorganização da estrutura, negociar com os credores e encontrar junto do acionista, o Estado, as condições materiais e financeiras para os investimentos necessários.

Sob o ponto de vista editorial, a retomada da gestão pela TPA, dos canais 2 e internacional, traz-nos desafios acrescidos, numa altura em que a crise financeira e organizativa não está ainda superada.

Contudo, a Administração estabeleceu planos realistas, para que o Canal 1, o Canal 2, a TPA Internacional e, a prazo, o Canal de Notícias, possam servir os telespectadores, no quadro do cumprimento do serviço público de televisão.
Desde logo garantir uma informação objectiva, verdadeira e transparente, em que o cidadão é parte integrante da comunicação, com a finalidade de ajudar o Executivo a ultrapassar as dificuldades e a melhorar as condições de vida das populações.

Em breve, o lançamento de novos programas de debate, de análise e confronto de diferentes opiniões e opções políticas e ideológicas, reforçarão o Canal 1 e serão um veículo de promoção da cidadania e da democracia.
A nível de entretenimento, quer no Canal 1, quer no Canal 2, melhorias aos programas já existentes e lançamento de novos programas ao longo do primeiro trimestre do ano, darão corpo a uma programação dirigida às mulheres, aos jovens, na preservação da nossa cultura, na divulgação de iniciativas e de projectos que em todo o País são realizados, muitas vezes desconhecidas ou esquecidas na mídia nacional.

O Canal Internacional, é hoje já uma realidade, com nova programação, resgatando os verdadeiros valores da nossa cultura, a riqueza da terra e das gentes angolanas, que tem registado notas bastante positivas dos nossos compatriotas e outras personalidades no exterior.

A Administração da TPA está pois firmemente empenhada em que o ano de 2018 signifique o início de uma nova era para a nossa empresa, em que os cidadãos se revejam, tenham uma informação credível, um entretenimento saudável, em que os nossos trabalhadores se sintam motivados e empenhados em contribuir para um serviço público que dignifique o Estado e seja um apoio aos esforços do Executivo não desenvolvimento e credibilidade interna e externa do nosso País.”

Luanda, 3 de Janeiro de 2018.

O Conselho de Administração da TPA

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