Um governo mais pequeno com um orçamento de estado mais apertado

Uma nova era começa em Angola, na próxima semana. Para terça-feira, dia 26, está agendada a tomada de posse do novo presidente de Angola, João Lourenço. As eleições foram pacíficas, a transição está feita. Agora a expectativa de todos – empresários, gestores e políticos do mundo – é saber que mudanças serão feitas, como será a atuação do novo presidente e como esta nova era abre caminhos para o desenvolvimento e o progresso daquele país africano. E também saber e ver como será restabelecida a confiança entre Portugal e Angola. Pequenos sinais começarão a ser dados, certamente, após a tomada de posse. Um deles passará pela composição do governo. O executivo proposto por João Lourenço ao MPLA é mais reduzido do que o atual.

Face ao anterior, a equipa governativa poderá ficar com menos cinco ministros e com menos três secretários de Estado. Além de um sinal de mudança, este é também um pequeno mas simbólico sinal de redução da despesa pública, de reforma do Estado e da necessidade de obter maior agilidade por parte das instituições públicas, e se isso, de algum modo, vier a contribuir para a desburocratização, melhor ainda.

O novo presidente prometeu dar prioridade à reforma do Estado, à boa e transparente governação e ao combate à corrupção. A expectativa é grande, nomeadamente da parte de empresários, gestores e economistas. A relação económica bilateral entre Portugal e Angola, nesta nova era. Para ler na página 6 e 7. Por cá, a maioria dos olhos estão postos no próximo Orçamento do Estado. Um dos temas quentes é o descongelamento das progressões nas carreiras, que custará 600 milhões de euros e tratar todos por igual não será fácil, tendo em conta as dificuldades orçamentais ainda sentidas.

Os enfermeiros têm elevadas expectativas, mas as outras classes também. Falta ainda conhecer os critérios que serão seguidos no dito descongelamento. E também falta saber que cedências fará o governo em relação ao Bloco de Esquerda e ao Partido Comunista Português, que fazem finca-pé neste ponto. Ainda falando do Orçamento do Estado, cujas negociações prosseguem, Paulo Trigo Pereira juntou vários economistas para apresentar uma proposta orçamental alternativa, de onde saem recados acerca da necessidade de contenção, ou seja, não há dinheiro para tudo e que ainda chegue para fazer cumprir o défice. Poderíamos ter ouvido esta proposta alternativa da parte do partido que constituía o anterior governo, o PSD, mas não. Foram os economistas a tomar a dianteira e a deixar o aviso. A sociedade faz-se de tudo isto: governo, oposição, academia, elogio e crítica, capacidade de encaixe e, acima de tudo, de democracia.

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