UNITA à espera de luz verde de João Lourenço para funeral de Jonas Savimbi

A UNITA está empenhada em não se deixar envolver numa polémica política com o Governo sobre o enterro dos restos mortais do seu fundador e líder histórico, transladado do cemitério municipal do Luena, no Leste de Angola, para o cemitério da família na aldeia do Lopitanga, perto do Andulo, na província do Bié .

Isaías Samakuva, o sucessor de Jonas Savimbi na liderança do partido, escreveu ontem uma carta ao Presidente da República, João Lourenço, a solicitar-lhe que esclareça “nesta fase qual será o procedimento” a seguir para levar a cabo as cerimónias fúnebres.

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A UNITA quer saber se pode prosseguir com o programa das cerimónias, agendadas para sábado, 01 de Junho, acordado com o Governo e a família, na comissão criada para o efeito.

Na terça-feira, uma comissão da UNITA, liderada por Isaías Samakuva, esperou em vão, com várias centenas de apoiantes do partido, pela entrega da urna com as ossadas de Jonas Savimbi, tal como acordado, mas estas seguiram directamente para um aeroporto militar no Andulo, onde aguardavam ontem a entrega à família .

Ernesto Mulato, presidente da comissão nacional das exéquias fúnebres de Jonas Savimbi, está no Andulo desde quarta-feira à tarde a aguardar as palavras de João Lourenço.

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“Chegámos esta tarde, sabendo perfeitamente que poderia não ser hoje. Vamos aguardar que amanhã [quinta-feira] haja um desenvolvimento para o efeito, referiu.

Questionado sobre se tinha sido dado algum prazo a João Lourenço para responder, o deputado da UNITA garante que Isaías Samakuva “nem podia ditar um prazo ao Presidente da República, nem interessa”. Na carta “contou apenas o que aconteceu” e solicitou a informação sobre como o partido deveria proceder a partir daqui.

Em conferência de imprensa, o ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, Pedro Sebastião, garantia na terça-feira que o acordado é que a urna fosse entregue à família no Andulo e não no Cuito e que a direcção da UNITA “impediu os seus representantes na comissão de estarem presentes no Andulo”.

A transladação dos restos mortais do líder histórico do Galo Negro enterrados no Luena desde a sua morte em combate a 22 de Fevereiro de 2002, há anos que vinha sendo solicitada pela família e pela UNITA, para que Jonas Savimbi pudesse ser enterrado, como era seu desejo, junto aos pais no cemitério da família na aldeia do Lopo.

Recusada por José Eduardo dos Santos, só seria aceite pelo seu sucessor, João Lourenço. No entanto, há quem dentro do MPLA e do Governo não concorde , nem com a dimensão mediática das cerimónias nem com a recuperação histórica da figura que muitos ainda continuam a ver como o inimigo perdedor da guerra.

“Nós estamos a fazer política há anos, não somos amadores em política”, disse Mulato.

“A UNITA reconhece que o MPLA fez a luta de libertação, como o MPLA deve reconhecer que a UNITA fez a luta de libertação . Este país é nosso e têm de nos tratar como irmãos e compatriotas, não nos podem minimizar, como se fôssemos nada”, acrescentou.

A Vivências Press News soube também que o presidente da UNITA, Isaías Samakuva será recebido na tarde desta quinta-feira pelo Presidente da República, João Lourenço, no Palácio Presidencial da Cidade Alta para discutir a questão das exéquias fúnebres de Jonas Savimbi.

Fonte: Público.

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