Venezuela: China acusa Washington de ver América Latina como “o seu quintal”

O Governo chinês respondeu esta segunda-feira aos comentários do secretário de Estado norte-americano, que atribuiu à China responsabilidade no prolongamento da crise na Venezuela, considerando as acusações “infundadas” e acusando Washington de ver a América Latina como “o seu quintal”.

As acusações de Mike Pompeo são “infundadas e realizadas de forma” deliberada para provocar um corte” entre a China e a América Latina, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lu Kang, numa conferência de imprensa regular.

“Por muito tempo, os Estados Unidos têm visto a América Latina como o seu próprio quintal, para pressionar, ameaçar e até mesmo subverter o poder político noutros países em determinados momentos”, disse Lu Kang.

O porta-voz chinês, acrescentou que “alguns políticos norte-americanos têm insistido numa linha” determinada com o objectivo de “manchar a China em todo o mundo”.

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, considerou que o financiamento de Pequim ao Governo da Venezuela, do Presidente Nicolás Maduro, está a fazer prolongar a crise no país sul-americano.

“O financiamento do regime de [Nicolás] Maduro pela China ajudou a precipitar e a prolongar a crise naquele país”, disse Pompeo na sexta-feira, no Chile, no início da sua visita oficial a quatro países da América Latina, acrescentando que a China investiu mais de 60 mil milhões de dólares (53 mil milhões de euros), “sem contar com armas”.

“Não é surpresa que Maduro utilizou o dinheiro para fazer pagamentos a amiguinhos, para esmagar activistas pró-democracia e financiar programas sociais ineficazes”, acusou.

De acordo com as estimativas da ONU, cerca de sete milhões de pessoas (25% da população do país) precisam de ajuda humanitária, com grupos como os doentes crónicos, as grávidas e as crianças numa situação especialmente vulnerável.

“Acho que há uma lição, uma lição a ser aprendida por todos nós: a China e outros países estão a ser hipócritas quando pedem uma não intervenção nos assuntos Venezuela”, enquanto “as suas próprias intervenções financeiras ajudaram a destruir o país”, sublinhou Pompeo.

O secretário de Estado norte-americano criticou ainda os laços da Rússia com os líderes em Cuba, Nicarágua e Venezuela. “Abrir um centro de treinos na Venezuela é uma provocação óbvia”, disse.

De acordo com relatos da imprensa venezuelana, a Rússia enviou no mês passado para a Venezuela dois aviões que transportavam 99 militares e 35 toneladas de material bélico.

Moscovo também abriu, no final de Março, um centro de treino militar para pilotos de helicópteros na Venezuela, país que há dois meses atravessa uma grave crise política, que se soma a uma crise económica e social que se vem agudizando.

Fonte: Expresso.

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