VII Congresso Extraordinário do MPLA: João Lourenço critica José Eduardo dos Santos

João Lourenço abriu o VII Congresso Extraordinário do MPLA, lamentando a ausência do seu antecessor na liderança do partido e do país: “Gostaríamos imenso de ter entre nós a presença do camarada José Eduardo dos Santos, que, ao longo de 39 anos, conduziu o MPLA nos momentos bons e maus e hoje é o presidente emérito do nosso partido”, afirmou.

Se estivesse presente, o antigo líder do MPLA não gostaria de ter ouvido o seu sucessor a criticar aqueles que “ameaçam o MPLA e fazem chantagem”, numa clara alusão à família Dos Santos. Uma das filhas de José Eduardo dos Santos, a deputada Tchizé dos Santos, foi outra das ausentes do congresso, suspensa do comité central do partido.

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Além disso, afirmou o líder do MPLA, “não é aceitável que se tenha chegado ao ponto de colocar a Sonangol e a Sodiam a financiar negócios privados, como se de instituições de crédito se tratasse”. As duas empresas públicas foram parceiras de negócio em investimentos de Isabel dos Santos.

Nesse conjunto de mensagens para o ex-líder do MPLA ausente, João Lourenço aproveitou para lembrar a “necessidade de que os que têm responsabilidades de fazer respeitar a Constituição e a lei sejam os primeiros a cumpri-la para que, com o seu exemplo, eduquem toda a sociedade no respeito pelo bem público, pela necessidade de todos prestarem contas da forma como gerem o erário público”.

De acordo com João Lourenço, a dívida pública angolana serviu “para financiar o enriquecimento ilícito de uma elite restrita e muito bem seleccionada na base do parentesco, do amiguismo e do compadrio, que constituíram aglomerados empresariais com esses dinheiros públicos”.

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O líder do MPLA sublinhou que “esta situação de injustiça” obriga o Estado “a pagar o investimento dito ‘privado ‘ na banca, na telefonia móvel, nos media, nos diamantes, na joalharia, nas grandes superfícies comerciais, na indústria de materiais de construção”, tudo sectores em que as empresas de Isabel dos Santos ou suas participadas mantêm parcerias com empresas públicas angolanas.

A Procuradoria-Geral da República divulgou uma lista de empresas ligadas a figuras do anterior Governo como Hélder Vieira Dias “Kopelipa”, Leopoldino Fragoso do Nascimento “Dino” ou Manuel Vicente, “em processo de privatização irregular” ou financiadas com a garantia soberana do Estado “sem ter havido o reembolso voluntário desses fundos públicos até à presente data”.

Fonte: PÚBLICO.

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