Visitas presidenciais e cooperação

No espaço de cinco meses o presidente de Angola, João Lourenço, e o de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, fizeram recíprocas visitas de Estado. Tanto uma como outra receberam forte atenção da comunicação social e da população de cada um dos países, tendo-se desenrolado em clima de grande cordialidade e culminado na assinatura de numerosos acordos de cooperação.

Ficou claramente a ideia de que as duas visitas estreitaram as relações entre os dois Estados e poderão ter resultados muito proveitosos para os dois países.

Na origem do êxito dessas visitas estão vários factores: as necessidades objectivas de cada país; o modo cuidadoso como as duas partes prepararam os dossiers sobre problemas existentes; a procura de uma adequada cooperação bilateral. Desde há muitos meses que estavam a ser inventariados os sectores, modos e vias onde a cooperação mútua poderá ser mais eficaz e benéfica. As autoridades angolanas e portuguesas fizeram um aturado trabalho.

As visitas presidenciais realizaram-se em momento crucial para Angola e importante para Portugal

Angola precisa de acorrer a graves situações económicas e sociais e resolver numerosos problemas estruturais em todos os sectores, desde a Administração Pública à Educação, Saúde, Sistema Financeiro e Produção nas suas diversas componentes

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Portugal precisa de incrementar exportações de bens e serviços e ter uma posição relevante de amizade e cooperação com Angola, que tem todas as condições para ser um dos países africanos mais poderosos e, por outro lado, ser determinante na CPLP

a cooperação luso-angolana pode ser muito benéfica para ambas as partes, principalmente para Angola, porque Portugal tem o know how adequado às necessidades angolanas deste momento para investimentos em pequena e média escala na agricultura e indústria transformadora; projectos de formação de quadros a vários níveis nos sectores da saúde, educação, administração pública, poder autárquico e diversos sectores económicos

Contudo, a cooperação firmada nos acordos só terá sucesso se rapidamente e consistentemente passar do papel para o terreno e no pressuposto de que corresponde, no caso de Angola, às efectivas necessidades angolanas. De facto, interessa que tenham sido bem formuladas as necessidades objectivas de Angola neste momento (o que parece ser o caso) e que as autoridades portuguesas o tenham compreendido (como é aparente) e saibam escolher meios e vias para concretizar a cooperação acordada.

Nestes acordos de cooperação firmados com Portugal, como em todos aqueles com outros países, é fundamental pôr em primeiro plano a formação profissional, técnica e científica que capacite os angolanos para tomarem com mão segura às rédeas do desenvolvimento económico e social e da efectiva democratização do país. Com a ajuda externa e com os quadros que já temos poderemos avançar rapidamente para a concretização desses objectivos.

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