“Welcome to” é nome de “startup” que começou em Angola e quer conquistar lusofonia

Paulo Costa aventurou-se em 2012 num projeto para promover o turismo e a indústria do lazer, começando com a distribuição gratuita do mapa de Luanda e com o portal “Welcome to Angola”, que agora alarga a outros destinos em português.

“Eu já tinha experiência nesta área do `marketing` e aconteceu o desafio de vir para Angola, para disponibilizar um serviço que simplesmente não existia, apesar do `boom` de expatriados, que não tinham informação sobre os sítios para ir. Usavam uma folha com indicações que iam passando de mão em mão, porque na `net` não havia nada”, começou por explicar à Lusa este português, de 53 anos.

A `startup` foi crescendo e só em Angola, no portal sobre a gastronomia, o lazer, a diversão ou a cultura nacional, conta 30 mil visitas por mês. Um projeto que evoluiu para o conceito da lusofonia e que Paulo Costa leva à Web Summit Lisboa 2017, em novembro.

Retomando o caso de Angola, onde tudo começou há cinco anos, explica que era ainda um país que vivia com os “resquícios do trauma de guerra” e onde sair de carro do centro de Luanda para uma praia, a algumas dezenas de quilómetros, era um desafio para qualquer um, estrangeiro ou nacional.

“Essa foi a oportunidade, criar um serviço que não existia. Começou com o mapa de Luanda e com o mapa de Angola, que tinha informações sobre os locais a visitar, onde comer, onde dormir, onde alugar carro. Criámos uma rede com 200 pontos de distribuição, levando as pessoas a procurar depois mais informação no portal”, recorda.

Do projeto inicial, com três fundadores, ficou Paulo Costa, que, entretanto, já alargou o portal “Welcome To” para aplicações para telemóveis, promoção `online` de locais recomendados para visita nas 18 províncias angolanas, roteiros turísticos e guias, `online` e `offline`.

De Angola, a base da operação`, já totalmente consolidada, o projeto alargou-se a Portugal e mais recentemente a São Tomé e Príncipe, com portais próprios que seguem a mesma ideia de produto. Está também prestes a arrancar a operação em Cabo Verde e em Moçambique.

Com nova roupagem, o “Welcome to” chega à Web Summit Lisboa 2017, um ano depois de ter surgido o objetivo de alargar o conceito ao espaço da língua portuguesa: “A ideia é cobrir todo o espaço de língua portuguesa e de alguma influência dessa cultura, como Macau, Goa ou Paris”, assume Paulo Costa, hoje diretor-geral do projeto.

Tudo funciona com cinco pessoas, em áreas diferentes, às quais acrescem os parceiros locais nos diferentes países, com equipas entre três a cinco colaboradores, sendo a grande aposta uma mistura entre conteúdos e as novas tecnologias.

“Consiste na criação de uma plataforma, `online` e `offline`, de incentivo à cultura, negócios e turismo no espaço da lusofonia, quer localmente, quer entre os diferentes países”, explica Paulo Costa.

Em www.welcometoangola.co.ao é possível obter conteúdos tão diferentes como um resumo das “mais belas igrejas” de Angola ou a receita de um típico peixe pagaio no forno.

O conceito agora alarga-se à lusofonia, mas a experiência resulta de cinco anos intensos em Angola, trabalho que não para de crescer e que já em 2018 envolve o alargamento da distribuição dos produtos em suporte fixo aos táxis de Luanda.

“Foi uma aprendizagem do mercado, o Welcome to Angola é percecionado como a marca de Angola para o setor turismo, tornando-se transversal a todo os setores, utilizando suportes digitais e papel, como mapas, livros guias, diretórios, aplicações e outros”.

A publicidade e as parcerias institucionais fazem o projeto crescer e a ideia é transportar o sucesso angolano, mesmo em termos de sustentabilidade financeira, para o mundo lusófono. Isto apesar de, por vezes, ao longo do percurso da `startup`, a palavra “desistência” tenha rondado.

“Enquanto empreendedores, a desistência tem de estar sempre presente, temos de estar atentos aos fatores críticos do sucesso. Mas isso não significa falta de entusiasmo e empenho na persecução dos objetivos”, conta Paulo Costa, reconhecendo como chaves do sucesso a “boa utilização” dos recursos financeiros e a “paciência para aguardar decisões de terceiros”.

“E, claro, sabendo vender-lhes as ideias”, remata.

Fonte: Lusa

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